Os Civita sabiam de tudo, dizem demitidos que levaram calote da Abril que edita a Veja bandida


 Funcionários da editora Abril que foram demitidos em massa em não receberam direitos trabalhistas entregaram nesta sexta-feira, 14, uma carta aberta à Família Civita; documento, que representa cerca de 800 funcionários, diz que Giancarlo, Roberta e Victor Civita já tinha conhecimento da dívida de R$ 1,6 bilhão do grupo e reservou o calote aos trabalhadores; "Os três herdeiros que chefiam o clã são donos de um patrimônio mundialmente reconhecido. Os bens pessoais dos três irmãos Civita estavam na casa dos R$ 10 bilhões de reais. É preciso fazer o Grupo Abril assumir a responsabilidade com aqueles que jogou no olho da rua"


14 DE SETEMBRO DE 2018

Funcionários da editora Abril que foram demitidos em massa em não receberam rescisão e direitos trabalhistas divulgaram nesta sexta-feira, 14, uma carta aberta à Família Civita.

O documento, que representa cerca de 800 funcionários, diz que aos seus empregados, a Abril reservou o calote. "Com 110 milhões de reais eles cumpririam a obrigação de pagar os homens e as mulheres que, dia e noite, incansavelmente, trabalharam para que a Abril se tornasse a maior editora de revistas da América Latina – e eles mantivessem o conforto de que dispõem hoje", diz a carta.

"É preciso fazer o Grupo Abril assumir a responsabilidade com aqueles que jogou no olho da rua. Vamos pressioná-lo com o comparecimento em massa", avisam os funcionários.

Leia, abaixo, a carta na íntegra:

CARTA ABERTA DOS FUNCIONÁRIOS:

Nossas famílias denunciarão o calote da ABRIL. Dia 14/9, às 12 horas na porta da gráfica! Vamos entregar a "Carta Aberta à Família Civita". Vocês estão convidados. Nos vemos lá.
"É fundamental a presença neste ato que demonstra a nossa repulsa e indignação diante da dispensa em massa, no dia 6 de agosto, de 800 empregados que ajudaram a construir a história do Grupo Abril. Jornalistas, gráficos, funcionários da distribuição e do administrativo, além de freelas: precisamos comparecer e mostrar força!

Até o presente momento, a empresa não cumpriu sua obrigação. Negou-se a pagar TODAS as verbas rescisórias (incluindo a multa de 40% sobre o FGTS) e mais uma multa (referente ao artigo 477 da CLT) por não ter quitado, em dez dias, sua dívida com os empregados demitidos. Conseguiu esse feito com ajuda da Justiça: no dia 16 de agosto, o juiz atendeu o pedido do Grupo Abril, que entrou em Recuperação Judicial (RJ). Dessa maneira, nós, que tínhamos o salário como única fonte de sustento, fomos jogados em uma interminável lista de credores a quem o Grupo Abril deve 1,6 bilhão de reais. Credores são os bancos, os grandes fornecedores de papel, as empresas estrangeiras com quem a Abril mantém negócios. Nós somos trabalhadores! Muitos, entre os demitidos, já estão sem dinheiro para comprar comida, pagar a escola dos filhos, o transporte, as prestações, os remédios...

Aos seus empregados, a Abril reservou o calote. Nossa parte (incluindo a dos freelas) corresponde a cerca de 8% da dívida total. Isso, a Família Civita, principal acionista do grupo, poderia pagar com recursos próprios. Os três herdeiros que chefiam o clã são donos de um patrimônio mundialmente reconhecido. A Exame repercutiu, poucos anos atrás, a lista das maiores fortunas do Brasil, publicada pela Forbes. Os bens pessoais dos três irmãos Civita estavam na casa dos R$ 10 bilhões de reais (em valores de hoje).

Com 110 milhões de reais eles cumpririam a obrigação de pagar os homens e as mulheres que, dia e noite, incansavelmente, trabalharam para que a Abril se tornasse a maior editora de revistas da América Latina – e eles mantivessem o conforto de que dispõem hoje.

É preciso fazer o Grupo Abril assumir a responsabilidade com aqueles que jogou no olho da rua. Vamos pressioná-lo com o comparecimento em massa! No ato, entregaremos uma CARTA ABERTA À FAMÍLIA CIVITA.

As famílias dos demitidos estarão na porta da Gráfica para entregar esse documento. Vamos demonstrar que estamos unidos e fortes, defendendo o que o nosso suor conquistou – e que agora nos querem roubar.



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