ALEX SOLNIK | Ficar neutro é apoiar Bolsonaro



Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"


9 de Outubro de 2018

Já se vê, aqui e ali, ex-candidatos à presidência, perdedores, e outros políticos dizendo que vão ficar neutros no segundo turno, não vão apoiar ninguém. Lavam as mãos, achando que assim as conservarão limpas. Preferem o voto em branco.

Ora, na conjuntura atual, isso significa eleger Bolsonaro.

Dada a distância que o separa de Haddad, e a sua proximidade aos 50% mais um, quanto mais votos em branco, ou seja, inválidos, menos votos ele vai precisar para se eleger.

Políticos que estimulam a neutralidade estão apoiando Bolsonaro sem querer, ou sem querer querendo.

É inacreditável que políticos experientes como Alckmin, Marina e Kátia Abreu não percebam isso. Ou então percebem e esperam que seus eleitores não percebam. Se é que ainda têm algum eleitor. E estão ajudando a enterrar a democracia.

É inaceitável que um ex-presidente da República como Fernando Henrique Cardoso diga nessa hora grave que vai esperar para ver se apoia Haddad. Por enquanto fica em cima do muro.

O Amoedo, que é político novo, já fica avisado: ao dizer que vai ficar neutro, está ajudando a eleger Bolsonaro.

A verdade é que o voto neutro, neste segundo turno, é o voto envergonhado em Bolsonaro.

Quem não quer eleger Bolsonaro tem que necessariamente votar em Haddad. Não há outra opção.


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