EMIR SADER | O candidato fake




Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

15 de Outubro de 2018

Treino é treino, jogo é jogo, dizia Didi, o mestre da folha seca. Agora podemos dizer que campanha é uma coisa, governo é outra. Carlos Menem e Carlos Andres Peres prometeram choques produtivos e, nem bem eleitor, aplicaram um duro pacote neoliberal de ajuste fiscal. Na campanha candidatos que busca enrolar os eleitores, dosam suas palavras conforme as pesquisas de opinião. Dizem os que se diz que as pessoas gostariam de ouvir.

O Bolsonazi vai passar o segundo turno todo desmentindo o que ele efetivamente disse, por orientação do marqueteiro. Da enorme quantidade de barbaridades que ele disse e está gravado, concentremo-nos naquelas que ele tenta dizer que não disse, porque aí teremos os temas que sua campanha considera mais vulneráveis, mas frágeis, em que ele deveria tentar negar que disse. Aí temos a lista de temas para abordarmos privilegiadamente com os que votam nele ou estão indecisos.

Coisas estupidas como a apologia da ditadura, da tortura, do Pinochet, não estão entre esses temas. Eles devem considerar que quem aceita isso, ou esta arraigadamente a favor desses valores ou não da a mínima importância ao tema. Então ele não se preocupa em desmentir. Como não se preocupam em desmentir as agressões que ele fez à democracia. Vejamos quais os que parecem para sua campanha que suas declarações afetam os eleitores.

Ele tem tratado de desmentir que tivesse falado contra o bolsa família. Como está escandalosamente comprovado, por várias gravações, que ele não apenas falou enfaticamente contra, como aproveitou para ofender os nordestinos, até mesmo as mulheres nordestinas grávidas, com afirmações degradantes, cuja simples reprodução causa efeitos muito negativos. Ele trata de dizer que não somente é contra, como que vai criar o 13. do bolsa família.

Provavelmente para refirmar o desmentido que ele fez do seu vice, sobre que o 13º seria uma jabuticaba, uma invenção brasileira – revelando um grau de suprema ignorância -, uma carga que recairia nas costas dos coitados dos empresários. Percebemos como eles se dão conta que aparecer enfrentado ao bolsa família e ao 13. salário. Portanto eles se preocupam em desmentir que o candidato é uma ameaça aos interesses da grande maioria das pessoas.

Para reforçar isso, o candidato se preocupa em criticar seu guru, sobre que ele não seria favorável à criação de novos impostos e que sua posição não seria favorável a cobrar mais imposto de quem ganha menos, como foi afirmado. Ele recorda que teria votado contra a recriação da CPMF, como prova dos seus critérios.

A defesa da democracia, da liberdade pessoal, dos direitos das minorias, a crítica da apologia da tortura, da morte dos adversários, não lhe parece um problema. Chega a dizer que as pessoas seriam a favor das suas posições. Mas trata de evitar os debates, porque são que teria que responder pelas posições estupidas que defende.

É um candidato fabricado, fake, que não diz o programa que tem, porque na verdade seu único objetivo agora é ganhar. Temos que ganhar gente que votou nele, especialmente a partir dos temas que afetam a vida das pessoas – salário, 13º, ferias, emprego, escola, porque só assim poderemos superar a distância de votos que temos em relação a ele.


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