Esquerda vence no Nordeste; região é bastião do campo democrático

Editora 247

O Nordeste, além de ter sido responsável por barrar uma possível vitória do presidenciável de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno, reelegeu seis governadores no primeiro turno; todos pertencem a partidos de esquerda - três deles do PT - ou estão coligados com legendas que integram o campo democrático; além disso, partidos de esquerda também disputam o segundo turno em Sergipe e no Rio Grande do Norte


8 DE OUTUBRO DE 2018

A eleição deste domingo (7) confirmou que a Região Nordeste continua sendo uma espécie de bastião do campo democrático e dos partidos alinhados à esquerda. Além de ter sido responsável por barrar uma possível vitória do presidenciável de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno, dos seis governadores do Nordeste reeleitos no primeiro turno, todos pertencem a partidos de esquerda ou estão coligados com legendas que integram o campo democrático.

O PT reelegeu os governadores da Bahia, Rui Costa, do Ceará, Camilo Santana, e do Piauí, Wellington Dias. No Maranhão, o governador Flávio Dino (PCdoB) derrotou o clã Sarney e foi reeleito para um segundo mandato, tornando-se o primeiro governador do partido comunista a ser reeleito em todo o Brasil, um feito histórico.

Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara (PSB), que se uniu ao PT pouco antes do primeiro turno, derrotou o rival Armando Monteiro Neto (PTB). Em Alagoas, Renan Filho (MDB) foi reeleito com o apoio de partidos de esquerda como o PT, PDT e PCdoB. Na Paraíba, o candidato João Azevêdo Lins Filho (PSB), que disputou sua primeira eleição majoritária, foi eleito tendo o PT em sua coligação.

No Rio Grande do Norte, o segundo turno será um embate entre os candidatos Fátima Bezerra (PT) e Carlos Eduardo (PDT). Fátima Bezerra teve 46,12% dos votos válidos e Carlos Eduardo 32,49%. Em Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD), que tem o PT e o PCdoB em sua coligação, irá enfrentar Valadares Filho (PSB).

Numericamente, o resultado das urnas também aponta que as forças do campo democrático e da esquerda são fortes na Região. No Ceará, Camilo Santana foi reeleito com quase 79,96% dos votos válidos, contra 11,30% do adversário General Teophilo (PSDB). Na Bahia, Rui Costa conseguiu 75,50% dos votos válidos, contra 22,6% de José Ronaldo (DEM). No Maranhão, Flavio Dino obteve 59,69% dos votos válidos, enquanto Roseana Sarney – que já governou o Estado em quatro ocasiões diferentes - registrou 30,07%.

Na Paraíba, o socialista João Azevêdo obteve 58,18% dos votos válidos, contra 23,41% de Lucélio Cartaxo (PV). A reeleição de Paulo Câmara, em Pernambuco, foi a mais apertada dentre as forças ligadas ao campo democrático. Ele foi reeleito com 50,70% dos votos válidos, enquanto o ex-ministro Armando Monteiro registrou 35,99%.

No Piauí, Wellington Dias bateu o rival Dr. Pessoa (SD) por 55,65% contra 20,48%. No Rio Grande do Norte, a petista Fátima Bezerra leva vantagem na disputa pelo segundo turno. Ela contabilizou 46,17% dos votos válidos, contra 32,45% de Carlos Eduardo (PDT). O atual governador, Robinson Faria (PSD), ficou em terceiro lugar com 11,85%, após ter um mandato turbulento e marcado por greves e atrasos de salários do funcionalismo. Em Sergipe, o atual governador e candidato à reeleição, Belivaldo Chagas, obteve 40,84% dos votos válidos e irá disputar o segundo turno contra Valadares Filho, que teve 21,49%.

O sucesso do PT e de partidos do campo democrático na Região é explicado por uma soma de fatores que passam desde a força do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Região até a lembrança da implantação de projetos estruturadores, como a transposição do Rio São Francisco, e programas sociais como o Bolsa Família. Além disso, os governadores nordestinos reeleitos tentaram visitar o ex-presidente Lula em Curitiba, onde ele é mantido preso por razões políticas.

O PT também promoveu na Região uma articulação política junto a outros partidos que se mostrou mais eficiente que em outras regiões do país. Nesta linha, trocou apoio com o MDB em Alagoas e no Ceará, e retirou a candidatura da Marília Arraes, assegurando a entrada do PSB no seu arco de alianças. Com Marília Arraes fora da disputa pelo Governo do Estado – ela foi eleita deputada federal -, Paulo Câmara foi reeleito no primeiro turno.

Além disso, as coligações conseguiram agregar não apenas os partidos de esquerda, mas também os de centro direita e em alguns casos, como o Maranhão, por exemplo, o número de partidos que apoiou a reeleição de Flávio Dino chegou a 15 legendas, algo considerado surpreendente por muitos analistas.


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