O ódio vai derrotar o regime “naziburrista”

A Postagem

13/10/2018

A situação ao qual se encontra o país nesse segundo turno é tão socialmente esdrúxula, que o motivo pelo qual a campanha de Bolsonaro conseguiu angariar vitória até aqui, o ódio, pode ser o motivo de sua derrota. Na medida em que as discussões se tornam violência explícita e o comportamento nazista aflora, com direito a suástica tatuada a faca, no abdômen de uma jovem no Rio Grande Sul, assassinato de um mestre capoeirista negro, na Bahia, e outros mais de cinquenta casos em apenas dois dias, o ódio se transforma em ação prática de grupos neonazistas e repressão violenta de milícias sociais nascentes. 

É esse o quadro que começa a causar susto e estarrecimento, nos aproximadamente 12% dos que decidiram, em última hora, votar em Bolsonaro, movidos pela onda de estupidez e Fake News, são os mais sensíveis à mudança. Nesse quadro profundamente estúpido de apologia à ignorância, na formação de um estado “naziburrista”, fundamentado no não raciocínio e na negação de qualquer nível de intelectualidade, estudo e leitura, é que traz a possível virada dos que, mesmo votando no ódio, são chamados à consciência, pela emergência dos fatos. Nasce, contudo, a possibilidade de virada e derrocada de Bolsonaro.

Porém, esse mesmo quadro, pode ser causador do inverso. Na medida que a crise aprofundou a urgência das necessidades básicas do cidadão, com o medo do princípio de escassez de recursos financeiros e de substância, o comportamento tende ao desespero frente a uma decisão que durará por quatro anos. Aqui, a necessidade de encontrar culpados, executar sentenças, caçar as bruxas e eliminar os alvos de raciocínio, frente ao discurso de ação imediata, força o cidadão alienado, maioria no Brasil, a apontar o dedo para os que a mídia e o judiciário vieram crucificando. É um cenário dramático, em que surgem os gritos acintosos de “comunista safado” que alcançam espectros da direita conservadora até os próprios comunistas de fato, basta que estejam contrários ao nazismo constituído. 

Bolsonaro, então, navega numa linha tênue, entre se afrouxar e se tornar mais odioso. Se afrouxar demais, perde o apoio de seu eleitorado fiel no ódio “naziburrista”, se cair em mais ódio, como já está acontecendo na sociedade, causa medo e pavor de seu possível governo. Por isso, decide se esconder, não participar de debate e de seu bunker, no estilo Hitler, manda seus vídeos nas redes sociais, seguidos por turbas de pessoas trevosas, prontas para comprar uma arma e eliminar seus inimigos. De fato, os primeiros dias de uma longa noite civilizatório parecem estar se desenhando, caso as pessoas conscientes que aderiram à onda de ódio não se sintam chamados à consciência.


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