O suicídio da imprensa e da Justiça



POR FERNANDO BRITO · 22/10/2018

Consumada a vitória de Jair Bolsonaro, o líder da “imprensa livre” será o ‘bispo’ Edir Macedo.

Consumada a vitória de Jair Bolsonaro, o chefe do Poder Judiciário será Sérgio Moro.

Consumada a vitória de Jair Bolsonaro, justiça e jornalismo estarão presos à bota de um presidente que já não esconde seus desejos ditatoriais, insuflando seus fanáticos com banimento e prisão dos que dele discordam.

“A faxina agora será muito mais ampla. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora ou para a cadeia. Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”. (…)“Vocês, petralhada, verão uma Polícia Civil e Militar com retaguarda jurídica para fazer valer a lei no lombo de vocês”

Nenhum dos ditadores do período militar falou em linguagem tão escancarada e o faz porque a mídia e a Justiça o acalentaram como “elemento útil” e agora ele tem vida e força própria.

Em todos os lugares, os medíocres salivam: os cargos, as promoções, os “mercados” poderão agora ser conquistados sem talento, mas com o dedo duro.

Um ajuntamento de ex-oficiais, reunião de pessoas para delinquir contra a ordem democrática, prepara-se para assumir os cargos públicos, como uma horda de gafanhotos. E quem se dispõe a roubar a liberdade e a vida de seus compatriotas dificilmente terá objeções morais a roubar-lhes o dinheiro e o futuro.

Ainda mais se piar contra eles representar cadeia ou caixão.

Não é preciso mais, como disse o “filho do ômi“, nem mesmo um cabo e um soldado para fechar uma Suprema Corte ou um jornal. Basta um berro, porque ambos estão acoelhados.

Acessem os comentários das notícias nos grandes portais: a Folha é “petralha” , a Globo é “comunista”, os ministros do STF, “vagabundos”.

Como cadáveres que se tornaram, nem mesmo podem reagir ao vilipêndio.

Restamos apenas os que não “estamos cansados”, para usar a expressão vergonhosa de Ciro Gomes em Paris.

E resta, ainda, a esperança de que, exposta – ainda que com a omissão da imprensa e dos tribunais – a face horrenda do que vem por aí, o povão veja a ameaça iminente da destruição da liberdade.


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