Primeiro discurso de Bolsonaro como presidente choca jornalistas pela precariedade


Fernando Frazão/Agência Brasil

Segundo jornalistas que mantém colunas na grande imprensa, o primeiro discurso de Jair Bolsonaro foi desanimador e que parece que ele continuará em campanha mesmo depois de eleito; Josias de Souza diz: "eu diria que não foi um pronunciamento animador. Começa por contestar a mídia, em vez de fazer uma entrevista coletiva, formal, reunir jornalistas e tal, ele faz uma live pela Internet, quer dizer, parece que ainda está em campanha"

29 DE OUTUBRO DE 2018

Segundo jornalistas que mantém colunas na grande imprensa, o primeiro discurso de Jair Bolsonaro foi desanimador e que parece que ele continuará em campanha mesmo depois de eleito. Josias de Souza diz: "eu diria que não foi um pronunciamento animador. Começa por contestar a mídia, em vez de fazer uma entrevista coletiva, formal, reunir jornalistas e tal, ele faz uma live pela Internet, quer dizer, parece que ainda está em campanha".

A reportagem do portal UOL destaca as impressões de diversos colunistas. Josias de Souza continua sua análise, destacando a confusão que Bolsonaro faz com a religião: "em segundo lugar, presidente de um Estado laico, fala de bíblia, de religião, no momento em que ele devia falar para toda a sociedade brasileira e expor os seus planos. Terceiro lugar, não ouvi uma vez a palavra pacificação, conciliação. Ao contrário, contra o socialismo, essa esquerda, quer dizer, o mesmo discurso da campanha. Então, realmente parece que Jair Bolsonaro não ganhou a eleição, ele continua em campanha. É inacreditável esse discurso que a gente acabou de ouvir."

Leonardo Sakamoto, segue na mesma linha, dizendo-se assombrado com a precariedade do discurso de um presidente "é inacreditável! Esse discurso é uma tragédia! Neste momento em que ele tinha tudo para tentar caminhar na direção de uma conciliação, de buscar um discurso, por mais difícil que seja, por conta de tudo que ele falou até agora, mas de colocar acenos aqui e ali, 'vou conversar com a oposição, vou conversar com a sociedade, peço para que todo mundo, neste momento, desarme-se, por favor, respeite o seu colega, respeite a decisão'."

Cláudio Couto, cientista político, diz que Bolsonaro manteve o tom de confrontação mesmo eleito: "continua o discurso bélico, em todos os sentidos, e de uma guerra-santa, e é o mesmo discurso que ele fazia antes. Aquela história de ?laranjeira não dá banana?, ficou claro aqui. Você não pode esperar muito outro resultado de um político que construiu toda a sua trajetória com base na confrontação."

E o filósofo Vladimir Safatle vai direto ao ponto: "catastrófico, como todo o mundo pensou. Eu diria que, bem, esse é o sr. Jair Bolsonaro. Ele deixa muito claramente que não haverá essa ideia de que ele vai moderar um pouco sua posição por estar herdando um país completamente dividido, um nível de acirramento nunca antes visto, uma eleição que deixa como saldo três mortos até agora por questões políticas triviais, no sentido de não foi um atentado político, nada parecido."


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