Bolsonaro tentou exibir troféu Battisti mas foi malsucedido



O jornalista Reinaldo Azevedo afirma que "O governo de Jair Bolsonaro tentou pegar carona na prisão de Cesare Battisti"; "Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete da Segurança Institucional), chegou a anunciar que o terrorista seria enviado ao Brasil para, então, ser extraditado para a Itália. Não havia nenhuma razão técnica ou jurídica para que isso acontecesse. Tratava-se apenas de exibir um troféu", expõe o jornalista; ele ainda diz que "em matéria de populismo barato, fica difícil competir com o governo italiano, que não quis dividir o peixe com Bolsonaro"

14 DE JANEIRO DE 2019

Em artigo, o jornalista Reinaldo Azevedo afirma que "O governo de Jair Bolsonaro tentou pegar carona na prisão de Cesare Battisti". "Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete da Segurança Institucional), chegou a anunciar que o terrorista seria enviado ao Brasil para, então, ser extraditado para a Itália. Não havia nenhuma razão técnica ou jurídica para que isso acontecesse. Tratava-se apenas de exibir um troféu. Bolsonaro apareceria na fotografia com Battisti nos dentes. Para os mistificadores das redes sociais, no entanto, bastaria: ali estaria o homem que venceu o facínora. Não rolou desse modo. De resto, há duas considerações a fazer: 1) em matéria de populismo barato, fica difícil competir com o governo italiano, que não quis dividir o peixe com Bolsonaro; 2) o governo da Itália temeu alguma, digamos, “surpresa” judicial por aqui. Ao contrário do que supõem alguns, a reputação de Banânia, a pátria amada, no quesito “segurança jurídica”, não anda lá essas coisas mundo afora. O governo de Evo Morales facilitou as coisas para os italianos: como Battisti havia entrado ilegalmente na Bolívia, bastava a expulsão. Para onde? Ora, para a Itália", disse.

"Para não variar o padrão destas duas primeiras semanas, o governo Bolsonaro conseguiu deixar as digitais da inabilidade e da inexperiência até mesmo em um episódio que não lhe dizia respeito. A Polícia Federal, subordinada a Sérgio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública, chegou a despachar um avião para Santa Cruz de La Sierra. Para quê? Pra nada. Gasto inútil de combustível e de recursos humanos. Era só parte da disputa pelos despojos de Cesare Battisti. Não deu certo. Restou ao governo, por intermédio do Itamaraty e do Ministério da Justiça, emitir uma nota de satisfação pelo ocorrido. O mesmo fez Bolsonaro por meio das redes sociais. O presidente brasileiro não vai conseguir ser fotografado com o peixe na boca, como pretendiam os mistificadores nas redes sociais", avalia Reinaldo.

Azevedo também critica a postura do STF. "foi Michel Temer ao decretar a extradição de Battisti depois que o ministro Luiz Fux, do Supremo, cassou uma liminar que ele próprio havia concedido, em 2017, e determinou, no dia 13 de dezembro do ano passado, a prisão do terrorista italiano. O mais curioso: quando Fux concedeu a medida cautelar, decidiu que a palavra final sobre o habeas corpus que impedia a extradição seria do pleno do Supremo — vale dizer: do conjunto dos ministros. Uma das especialidades de Fux, no entanto, é mudar as decisões de… Fux. De maneira monocrática, sem submeter a questão a seus pares, cassou a própria liminar, mandou prender Battisti e anunciou que o italiano ficaria à disposição de Temer para eventual extradição. O então presidente assinou o decreto no dia seguinte, 14 de dezembro. Battisti já havia dado no pé".


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