JEFERSON MIOLA | O que falta para o Deltan Dallagnol desenhar o power point do Bolsonaro?


Fernando Frazão/Agência Brasil

Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

23 de Janeiro de 2019 

Sempre é útil lembrar que Flávio Bolsonaro e o laranja dos Bolsonaro, Fabrício Queiroz, foram poupados pela Operação Furna da Onça, o braço da Lava Jato do RJ que levou à prisão 10 deputados estaduais e assessores parlamentares.

As ilicitudes cometidas por Flávio e Queiroz, idênticas às praticadas pelos parlamentares e assessores presos, foram abafadas pela Lava Jato para proteger a candidatura presidencial do Jair e a candidatura ao Senado do Flávio. 

O esquema do Queiroz e do Flávio somente foi descoberto depois do segundo turno da eleição, e por meio de vazamento do COAF que escapou ao controle do Moro e do Dallagnol.

Desde então, a cada dia surgem novos detalhes sobre as falcatruas e abundam novas provas dos ilícitos [ler aqui]. A despeito disso, Deltan Dallagnol, Moro e a horda da Lava Jato incrivelmente fazem de conta que o assunto não é com eles.

Para facilitar o trabalho do Deltan e a turma da Lava Jato, segue adiante um roteiro com os fatos conhecidos, para que finalmente deixem de prevaricar e preparem o power point do Flávio e do Queiroz:

1 - As suspeitas são de práticas de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha, negócios obscuros, enriquecimento ilícito e, cereja do bolo, de envolvimento com o alto-comando do Escritório do Crime.

O Escritório do Crime, organização especializada em matar sob encomenda, é considerada a mais letal e secreta milícia do Rio. A milícia controla “da primeira à última rua” da segunda maior favela do Rio, a Rio das Pedras, e é suspeita de relação com o assassinato da Marielle Franco e do Anderson Gomes;

2 - São muito fortes os indícios de relação da família Bolsonaro com milícias do Rio;

3- Em dezembro passado, Fabrício Queiroz se escondeu e buscou refúgio na favela Rio das Pedras para fugir da justiça [ler aqui];

4 - A mãe e a esposa do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do BOPE e um dos chefes do Escritório do Crime, trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro até novembro passado, e repassavam para o esquema da família Bolsonaro parte do salário que recebiam no gabinete do Flávio;

5 - Na ALERJ, Flávio Bolsonaro apresentou Moção de Louvor e Congratulações ao miliciano Adriano “pelos inúmeros serviços prestados à sociedade” [2003], bem como a outro chefe da milícia, o ex-capitão Paulo Alves Pereira [em 2004];

6 - Bolsonaro pai fez carreira política enaltecendo a prática de extermínio e defendendo a atuação das milícias, e na ALERJ o filho Flávio defendeu a legalização das milícias; e, finalmente,

7 - Flávio Bolsonaro, que já homenageou os chefes do Escritório do Crime suspeitos de envolvimento no assassinato da Marielle, foi o único deputado da ALERJ que votou contra a concessão da medalha Tiradentes em homenagem à vereadora.

Diante desse roteiro, pergunta-se ao DD, Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato: isso tudo basta para fazer o power point do Queiroz ou ainda é preciso desenhar?


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