MARIO VITOR SANTOS | Várias omissões e uma grande fraude do presidente incapaz da verdade


Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mario Vitor Santos é jornalista. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

2 de Janeiro de 2019 

Por Mario Vitor Santos, para o Jornalistas pela Democracia - Foram discursos de candidato ainda em caravana eleitoral. Não foram discursos presidenciais. Nem na cerimônia de posse no Congresso Nacional, nem pronunciamento no mais arriscado pronunciamento no parlatório, o agora empossado presidente Bolsonaro anunciou nem sequer uma medida prática para resolver problemas. O tom continuou a ser o mesmo que deu o tom nos palanques eleitorais.

Bolsonaro não propôs aliviar as divisões criadas durante a disputa eleitoral. Não anunciou que pretende ser o presidente de todos os brasileiros, mas sim que pretende governar com a “maioria” do povo brasileiro que o elegeu. A referência à maioria é fraudulenta, pois na verdade Bolsonaro foi eleito com 39% dos votos do conjunto do colégio eleitoral, computados aí nulos, brancos e abstenções. Não acenou com pacificação, mas com o combate ao que chama de viés ideológico na educação e na diplomacia. 

Prometeu também combater o “politicamente correto” e a “ideologia de gênero”. Ressuscitou no parlatório diante do Palácio do Planalto, na parte não lida, mas “improvisada” de seu discurso, os antigos temas de campanha. Disse que vai libertar o Brasil do “socialismo” e que a bandeira brasileira “jamais será vermelha”, a não ser com o sangue dos que saírem em defesa da pátria.

Tanto no pronunciamento no interior do Congresso como no discurso na Praça dos Três Poderes, que parecia relativamente esvaziada na comparação com outras cerimônias do tipo, predominou o sentido de governar fascista, ou seja, diretamente “com o povo”. Mencionou sim apenas de passagem o respeito “aos fundamentos” da democracia e da “Constituição”. Pregou um “pacto” com Legislativo e Judiciário, mas não exatamente união.


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