RIBAMAR FONSECA | Queiroz pode derrubar Fux e Bolsonaro



Ribamar Fonseca é Jornalista e escritor

19 de Janeiro de 2019

A decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu as investigações sobre as movimentações financeiras de Fabrício Queiroz, ex-motorista e ex-assessor do senador eleito Flavio Bolsonaro, longe de ajudar a família Bolsonaro, como certamente pretendeu o magistrado para agradar o Presidente, só serviu para agravar a situação de todos, inclusive a dele, porque mesmo involuntariamente transferiu a discussão do problema, antes restrito ao Ministério Público do Rio de Janeiro, para a órbita federal. Na verdade, há uma série de detalhes que deixam mal todo mundo, a começar pelo próprio Flávio que, não sendo investigado, ao pedir ao STF a suspensão das investigações pelo MP do Rio, alegando possuir foro privilegiado por sua condição de senador eleito e diplomado, praticamente confessou a sua participação nas ações suspeitas do seu ex-assessor. E poderá passar de testemunha a investigado, dependendo do despacho do ministro Marco Aurélio Mello, designado relator do processo, e da Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, que poderá manifestar-se pedindo a ampliação das investigações.

O próprio presidente Bolsonaro, por seu envolvimento através da explicação dada para o cheque de R$ 24 mil de Fabrício recebido pela primeira dama, também poderá vir a ser investigado, o que será péssimo para o seu início de governo. Na verdade, eleito com a bandeira de combate à corrupção, apontando durante a campanha o dedo acusador para o PT, ele tem o dever de dar uma explicação convincente à população, do contrário o chamado “mito” vai desmoronar antes mesmo de mostrar a que veio. E só não correrá o risco de sofrer um impeachment, logo no começo da gestão, porque tudo indica que Rodrigo Maia será reeleito presidente da Câmara e, tal como fez com Michel Temer, engavetará qualquer pedido que lhe chegar às mãos. O ministro Luiz Fux, por sua vez, também poderá ter de enfrentar um pedido de impeachment, porque a sua decisão agora foi uma espécie de gota d'água que fez transbordar o balde de decisões consideradas esdrúxulas, condenadas nos bastidores da Corte Suprema pelos seus próprios colegas e por renomados juristas nacionais. Se tal acontecer, o que parece difícil mas não impossível, ele não assumirá a Presidência da Corte quando expirar o mandato do ministro Dias Toffoli. E abrirá a oportunidade  para Bolsonaro nomear Sérgio Moro para a sua cadeira. A coisa pode ficar feia.


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