Um novo indício de que os Bolsonaro têm informação privilegiada no caso Queiroz

GGN

18/01/2019

A quinta-feira (17), tumultuada pela notícia de que o Supremo Tribunal Federal suspendeu a investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro contra Fabrício Queiroz, termina com um novo indício de que o clã Bolsonaro tem informações privilegiadas a respeito do caso envolvendo o Coaf.

Este segundo indício soa mais grave que o primeiro, pois sugere que Jair Bolsonaro fez uso das informações no cargo de presidente da República, com o Coaf já sob o guarda-chuva de Sergio Moro.

Nesta quinta, a defesa de Flávio ganhou do Supremo uma liminar para paralisar a investigação contra Queiroz no Rio. Mas o pedido integral vai além da suspensão. O que os advogados do senador pretendem é anular as provas obtidas junto ao Coaf. Isto porque, segundo eles, houve quebra de sigilo fiscal e bancário de Flávio - que passou a se considerar "objeto de investigação" - sem autorização judicial.

De acordo com nota divulgada na noite de hoje, a defesa "descobriu" que Flávio vinha sendo investigado pelo MP do Rio quando teve acesso aos autos da investigação contra Queiroz.

Pelo que se tem notícia, o acesso só foi solicitado no dia 10 de janeiro, dia em que Flávio comunicou oficialmente, e nas redes sociais, que não iria comparecer ao depoimento marcado com os promotores, sob o pretexto de que não era, até então, investigado, e de que não tinha conhecimento de todos os fatos em apuração.

Só que, uma semana antes disso, no dia 3 de janeiro, já no cargo de presidente, Jair Bolsonaro disse em rede nacional, durante entrevista ao SBT, que Queiroz teve sigilos bancário e fiscal quebrados irregularmente a pedido do MPE-RJ.

Como Bolsonaro teve conhecimento disso, se a investigação tramitava (e ainda tramita) sob segredo de Justiça?

O argumento da suposta arbitrariedade, agora abraçado pela defesa de Flávio no STF, está em posse dos Bolsonaro ao menos desde o início do mandato presidencial.

Antes da entrevista do dia 3, nenhuma informação fora publicada a respeito de qualquer reclamação, por parte da defesa de Queiroz, quanto a eventuais arbitrariedades. Bolsonaro foi o responsável por trazer a novidade à tona.

No dia seguinte à entrevista, parte da imprensa, aliás, se dedicou a desmontar a fala de Bolsonaro, explicando que o Coaf não precisa de aval de um juiz para fazer análises em contas bancárias delatadas por instituições financeiras - que seria o caso de Queiroz.

O PRIMEIRO INDÍCIO DE VAZAMENTO

Quando o caso Coaf pipocou na mídia, veio acompanhado do primeiro indício de que os Bolsonaro foram avisados da investigação ainda durante a corrida presidencial.

Queiroz foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro. No mesmo dia, a filha, Nathália Queiroz, foi demitida do gabinete de Jair, em Brasília. Coincidência?

Dois dias depois da exoneração, a operação Furna da Onça, do Ministério Público Federal, pediu autorização para uma operação na Assembleia do Rio, que culminou na prisão de uma dezena de parlamentares e assessores. A equipe e o então deputado do PSL foram poupados.

Deputados do PT, à época, chegaram a cobrar providências da Polícia Federal e disseram que era evidente que houve vazamento de informações da Furna da Onça para a família presidencial.

Chamou atenção, ainda, o fato de que o MPF estava em posse das informações sobre Queiroz e o repasse de R$ 24 mil à Michelle Bolsonaro, mas não fez nada a respeito. O MPE do Rio só entrou em cena depois que a imprensa passou a perguntar se Flávio e o ex-motorista estavam sob investigação.

Surpresos, ministros do Supremo disseram em off, ao G1, que a estratégia de Flávio era suicida, porque agora Michelle e até Jair Bolsonaro podem ser investigados pelo elo com Queiroz.

Mas até o momento, as defesas de Queiroz e Flávio não se mostraram de movimentos impulsivos.


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