LEONARDO ATTUCH | Peça ajuda humanitária, presidente Zé de Abreu



Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247, além de colunista das revistas Istoé e Nordeste

26 de Fevereiro de 2019

A Venezuela é aqui. No Brasil, a desigualdade cresce há 16 trimestres consecutivos, ou seja, desde que a presidente Dilma Rousseff foi derrubada sem crime de responsabilidade. O desemprego se mantém em alta e cresce em todas as capitais. E o que se vê no horizonte é ainda mais grave, com a perspectiva de que os idosos de hoje e de amanhã sejam jogados na miséria, com o fim das aposentadorias públicas.

Se não bastasse a destruição econômica, o Brasil vive a mais profunda degradação ética e moral. A ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, acusada de sequestrar uma criança indígena, discursa nas Nações Unidas e "se esquece" de citar o nome de Marielle Franco – aliás, quem matou Marielle e Anderson? O ministro da Educação, Vélez Rodriguez, aquele que chama brasileiros de ladrões e canibais, pede às escolas que filme crianças recitando o slogan de Jair Boisonaro – heil, Hitler. E o inacreditável chanceler sugere que se abra um corredor de passagem na Amazônia para que soldados americanos promovam a primeira guerra na América do Sul, em 150 anos. 

Tudo isso é absurdo e grotesco, mas a sociedade brasileira tem se mostrado incapaz de se levantar por si só. Ela se mantém encurralada por meios de comunicação que ainda apoiam Jair Bolsonaro, justamente porque ele oferece uma cenoura ao capital: a promessa de que liquidará com o estado de bem-estar social no Brasil.

Diante disso, a melhor notícia do ano foi a decisão do ator José de Abreu de se autoproclamar presidente da República, assim como fez Juan Guaidó na Venezuela. Zé de Abreu já declarou que "nossa bandeira jamais será laranja" e prometeu acabar com aposentadorias e pensões especiais das castas da sociedade – incluindo filhas casadas que fingem se solteiras, como a Maitê Proença. Também prometeu indultar o ex-presidente Lula, que, em condições democráticas normais, hoje seria presidente da República. Afinal, o país que prende opositores para impedi-los de se eleger é o Brasil – não a Venezuela. 

Zé de Abreu, no entanto, não será capaz de libertar o Brasil da burrice, da ignorância e do obscurantismo sem ajuda internacional. É urgente que os democratas de todas as partes do mundo o apoiem para que o Brasil volte a ser Brasil.


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