WILLIAM DE LUCCA | Bolsonaro na coleira do DEMO


Antonio Cruz/ Agência Brasil

Jornalista, ativista LGBT e editor do 247. Com passagens na imprensa e na comunicação privada e pública nas regiões Sul, Nordeste e Sudeste, é especialista em Marketing Digital. Hoje, atua na comunicação sindical e mantém seu canal no Youtube sobre política, cultura e comportamento LGBT

3 de Fevereiro de 2019

A fraqueza de Jair Bolsonaro para a condução de seu governo é a mais marcante característica do primeiro mês de gestão do presidente brasileiro.

Desde a campanha, o capitão reformado do exército mostrou-se um títere nas mãos do economista e agora superministro Paulo Guedes. Após o pleito, Bolsonaro arrumou outro par de mãos para segurar suas cordas, quando indicou Sérgio Moro para ministro da Justiça. 

Soma-se a elas, o par de mãos habilidosas, porém mais discretas, de Gustavo Bebiano e já havia um trio a manipular os rumos do presidente, ainda trôpego, fazendo gesto de arma com a mão e assinando documentos com caneta Bic.

As eleições para presidência da Câmara e do Senado, entretanto, colocaram não só Bolsonaro como personagem a ser manipulado, mas sim todo o governo proto-fascista eleito pela maioria dos eleitores e pela minoria dos brasileiros.

O Democratas, partido de nome um tanto irônico, já que nunca conseguirá se livrar de suas raízes como sigla de sustenção da Ditadura Militar, elegeu o presidente das duas casas parlamentares, o que, novamente de forma irônica, é um risco a própria democracia. 

Com o comando das três casas (Câmara, Senado e Casa-Civil presidencial), o DEM não torna-se apenas o principal fiador do governo, mas quem dá as cartas no jogo mais importante da República. A história da relação entre Eduardo Cunha e Dilma Rousseff esta aí pra não me deixa mentir.

Bolsonaro acumula sinais de fraqueza e de descontrole em primeiro mês de mandato. Ministros o contradizendo publicamente, seu vice dando opiniões absolutamente contrárias às dele, seus filhos envolvidos em escândalos e acusações graves, participação vexatória no seu primeiro evento internacional. Uma hecatombe embrionária, e que parece crescer sem controle.

Ao prever o que todos sabiam, que Bolsonaro não teria condições de governar por puro desconhecimento do funcionamento básico do Estado e por estar cercado de uma legião de imbecis, o DEM tomou a frente das posições mais estratégicas do país mas, principalmente, da mais importante delas: a mão que segura a coleira de Bolsonaro, voltando a decidir os rumos do país sem precisar eleger presidente ou coisa parecida. Como sempre gostou de fazer.


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