ALEX SOLNIK | Ou o Brasil acaba com Bolsonaro ou Bolsonaro acaba com o Brasil


Jonathan Ernst - Reuters

Jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. Autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

25 de Março de 2019 

Por Alex Solnik, colunista do 247 e membro do Jornalistas pela Democracia

O botânico francês Auguste Saint Hilaire, em sua passagem de seis anos pelo Brasil, entre 1816 e 1822, escreveu um livro em vários volumes – “Voyages dans l’interieur du Brésil” –que ficou célebre por uma frase:

“Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”.

Ele se referia a uma saúva literal e a problemas que causava à lavoura brasileira, em especial à de Minas Gerais.

A frase pegou.

Anos depois, em 1915, o escritor Lima Barreto a colocou na boca do protagonista de seu “Triste fim de Policarpo Quaresma”.

A saúva, aí, transcendia o inseto malfeitor. Era uma saúva metafórica. 

Em 1928, Mário de Andrade adaptou a frase em sua obra prima, “Macunaíma”:

“Muita saúva e pouca saúde os males do Brasil são”.

Como o Brasil não acabou até agora, tudo indica que as saúvas foram exterminadas.

A praga que assola o país agora é outra.

Mais destrutiva que a das saúvas – literais e metafóricas.

Ou o Brasil acaba com Bolsonaro ou Bolsonaro acaba com o Brasil.


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