PAULO MOREIRA LEITE | Fora da cela, Lula mostrou a falta que faz ao país


Amanda Perobelli/Reuters

Paulo Moreira Leite é colunista do 247, ocupou postos executivos na VEJA e na Época, foi correspondente na França e nos EUA

3 de Março de 2019 

Não vamos nos enganar nem minimizar a injustiça tremenda enfrentada por Lula desde que, onze meses atrás, foi preso em Curitiba. Embora tenha ficado fora da cela durante a maior parte deste dia de sábado, antes, durante e depois do velório do neto Arthur, nem por um único segundo ele teve direito a um minuto da liberdade, esse universo de garantias e gestos que definem a forma mais evoluída da existência humana.

Livres estavam os homens e mulheres que foram ao cemitério Jardim da Colina e puderam partilhar sua atenção, comprovar seu sofrimento, chorar com sua dor. E mesmo aqueles que o vigiavam.

Monitorado e ameaçado sem qualquer necessidade real, como ficou explícito na cena final em que foi advertido pelo chefe da escolta, dando uma resposta educada a altura, Lula foi a São Bernardo e retornou à Curitiba sem perder a condição de prisioneiro da Lava Jato. 

Assim irá permanecer até que o Brasil seja capaz de lhe fazer Justiça, recuperar o Estado Democrático de Direito e tirar da cadeia o maior líder político da resistência a esses tempos sombrios, ameaçadores como nunca tivemos. Tanto pelo aparato policial que mobilizou, como pela atenção dispensada pela TV a cada passo e cada gesto fora da cadeia, Lula demonstrou que segue personagem-chave situação política brasileira.

Os momentos que passou fora da prisão produziram um encantamento único, que o país não irá esquecer tão depressa. As imagens de ontem em São Bernardo mostraram que apesar da semelhança enganosa, onze meses após ter sido preso, numa cena que, a exemplo daquela noite horrível de abril de 2018, ouvia-se o ruído de hélices de helicóptero e o ronco de vans da Polícia Federal, o país passou e ainda pode passar por mudanças tenebrosas.

Menos livre, mais pobre, piorou muito. Perdeu a razão e a esperança, o que explica a audiência aos discursos de ódio. Embora tenham mudado de lugar, os papéis de cada um  seguem os mesmos -- essencialmente.

No segundo semestre de 2017, quando percorreu o Nordeste na primeira etapa  da caravana de uma campanha que prometia ser vitoriosa não fosse a cumplicidade criminosa entre os novos salões da Paulista com os velhos porões do DOI CODI, Lula lembrou a maior de suas virtudes, aquela que lhe permitiu tornar-se quem é: "eu sei cuidar do povo humilde desse país". Disse isso no início da caravana, no interior da Paraíba. Repetiu no Piauí e também em São Luiz, no ponto final.

Agiu assim em 2 de março de 2018, ainda que o Brasil tenha mudado tanto, desde a prisão e a eleição presidencial, que nem todos pudessem ser classificados como "povo humilde desse país".


2 comentários:

maria disse...

Lula Deus permitiu que tu fosses pra cadria porque queria mostrar te o amor que muitos tem por vc e vc pode ver força meu presidente porque a vitória e nossa ninguém humilha ninguém se nao tiver rabo preso força.

Edel disse...

Lula livre

[ Deixe-nos seu Comentário ]