Embaixador alerta: o chanceler paralelo Eduardo Bolsonaro está destruindo a imagem do Brasil no exterior


Paola de Orte/Agência Brasil

"A diplomacia paralela de Eduardo Bolsonaro, na ânsia de aproximação com forças da extrema direita, tem efeitos contraproducentes em nosso relacionamento com as grandes democracias europeias", alerta Roberto Abdenur, um dos mais experientes quadros da diplomacia brasileira. "É ruim a imagem do governo Bolsonaro no exterior, e nosso alinhamento com personagens e governos da extrema direita só fará piorar essa situação"

9 DE MAIO DE 2019 

O chanceler paralelo Eduardo Bolsonaro está destruindo o Itamaraty e a imagem do Brasil no mundo. Quem alerta é o embaixador Roberto Abdenur, um dos maiores quadros da diplomacia brasileira, em artigo publicado nesta quinta-feira.

"O presidente Bolsonaro elogiou as iniciativas de seu filho e adiantou a intenção de visitar a Hungria. Ele não foi eleito para implantar no Brasil regime autoritário nos moldes do húngaro. A movimentação do deputado, que atua como chanceler paralelo, abre uma segunda trilha diplomática em prejuízo daquela que, conduzida pelo Itamaraty, deveria prevalecer no trato oficial com outros governos, inclusive os que não são de direita, e com os quais, diferentemente do que ocorre com a Hungria, tem o Brasil relações de grande densidade e dinamismo. Isso acontece com Alemanha, França, Reino Unido, Espanha, Portugal, entre outros importantes parceiros comerciais e fontes de investimento em nossa economia", diz ele.

"A diplomacia paralela de Eduardo Bolsonaro, na ânsia de aproximação com forças da extrema direita, tem efeitos contraproducentes em nosso relacionamento com as grandes democracias europeias. A identificação do Brasil com protagonistas da extrema direita irrita os governos verdadeiramente democráticos em Berlim, Paris, Londres e outras capitais, pois tais governos são alvo de duros ataques e contestações pelos radicais da direita", lembra o embaixador.

"Também não ajudam o Brasil outras posturas de Brasília, como a falta de compromisso com o meio ambiente e com a preservação da Amazônia e o ceticismo quanto aos acordos de Paris sobre mudança climática. A tendência é que surjam inibições e restrições às relações com o Brasil, incluindo barreiras a nossas exportações. É ruim a imagem do governo Bolsonaro no exterior, e nosso alinhamento com personagens e governos da extrema direita só fará piorar essa situação", pontua. "O governo está fazendo escolhas erradas em suas prioridades. Atua de forma pouco profissional. A diplomacia paralela se sobrepõe à diplomacia oficial do Itamaraty e arrasta o país para caminhos equivocados. A diplomacia brasileira já está a sofrer descrédito e desprestígio. Ao impacto da diplomacia paralela, essa tendência certamente se agravará."


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