Lava Jato: “delate e continue rico” diz Fernando Brito



POR FERNANDO BRITO · 22/09/2019

O novo pacote de vazamentos dos diálogos entre os procuradores da Lava Jato divulgados hoje pela parceria Folha-Intercept leva quem os ler ao mundo maravilhoso dos milhões, a chave que abre todas as portas, inclusive as das cadeias.

Deem pouca relevância às mensagens que tratam de uma suposta preocupação em preservar a Odebrecht e o emprego de seus trabalhadores: afinal, a empresa demitiu 82% deles (ou 228 mil pessoas) e está “em recuperação judicial” que mal lhe disfarça a falência. Aliás, essa preocupação é quase que exclusivamente expressada pelo agora ex-procurador Marcelo Miller, justamente o que está sofrendo processo no caso JBS.

A essência, ali, é a troca das delações pela manutenção do patrimônio pessoal dos delatores. E não aquele necessário ao prosseguimento de seu sustento pessoal, mas de riquezas na casa das centenas de milhões de reais.

Em nome de obter as delações, permitiu-se que, afinal, fosse “lavada” boa parte da pecúnia acumulada em negócios ilegais e que, além disso, caísse sobre a empresa uma conta bilionária de multas e indenizações relativas ao “exército” de 77 delatores que ela reuniu entre seus executivos para apresentarem versões que – claro – jamais estiveram livres do famoso “me pagaram por isso”.

O teor das delações ser negociado em troca da manutenção de parte dos depósitos ilegais feitos em favor da cúpula da Odebrecht fica claro na mensagem em que Deltan Dallagnol apresenta uma minuta de acordo na qual um dos itens seria o fato de Emílio Odebrecht, o patriarca da empresa, “admitir que houve a discussão de pautas relevantes da ODE no alto escalão do governo e de que teve ciência/delegou os pagamentos e contribuições do Grupo, inclusive via caixa 2”.

A moralidade destes acordos bem que poderia ter o título de um dos quadros do programa do velho Sílvio Santos: “topa tudo por dinheiro”.


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