PT entra com notícia-crime no STF contra Sérgio Moro e procuradores da Farsa Jato


(Foto: Lula Marques)

Após a revelação da Vaza Jato de que a força-tarefa tinha 22 diálogos de Lula, mas selecionou um para vazar à imprensa a fim de manipular a versão sobre sua nomeação como ministro no governo Dilma Rousseff, as bancadas do PT na Câmara e no Senado protocolaram no Supremo uma notícia-crime pedindo abertura de processo criminal contra os envolvidos

12 de setembro de 2019

As bancadas do PT na Câmara e no Senado protocolaram nesta quinta-feira (12), no Supremo Tribunal Federal, uma notícia-crime — o conhecimento de autoria de um fato criminoso —  contra os procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro no episódio que envolveu o grampo ilegal e divulgação de um diálogo telefônico entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

Na peça, os parlamentares requerem ao presidente do STF, Dias Toffoli, a abertura de processo criminal contra eles por terem omitido gravações telefônicas que mostravam a intenção de Lula assumir a gestão da Casa Civil, em 2015, para auxiliar a então presidenta Dilma Rousseff. Procuradores manipularam áudio para dar a entender que Lula pretendia fugir de eventual investigação.

Como foi noticiado pelo site The Intercept Brasil e pela Folha de S. Paulo, o trecho utilizado pela operação Lava Jato que dava conta da tentativa de nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil com o suposto intuito de tirá-lo da mira da força-tarefa foi mais uma narrativa criada pelos procuradores e Sérgio Moro. O áudio tirado de contexto foi, inclusive, utilizado pelo ministro Gilmar Mendes para impedir o ex-presidente Lula de assumir o cargo. 

Segundo o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), é de extrema gravidade não só o fato de Moro ter interceptado ilegalmente uma conversa entre a então presidente da República e Lula como também ter agido de maneira seletiva para divulgar trecho do seu interesse político, partidário e ideológico. 

“Foi um episódio que deixou profundas marcas na democracia”, abrindo caminho para o golpe de 2016, ponderou Pimenta. “Sem isso, talvez não tivesse ocorrido o impeachment e nem o Brasil estaria agora entregue a essa verdadeira quadrilha de milicianos que governa o Brasil”, completou o líder.

O assunto foi tratado hoje com a procuradora –geral da República, Raquel Dodge, por Pimenta, o  líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), os senadores Paulo Rocha (PT-PA), Jean Paul (PT-RN) e Zenaide Maia (PROS-RN), a deputada Natália Bonavides (PT-RN) e os deputados Airton Faleiro (PT-PA), João Daniel (PT-SE) e Paulo Teixeira (PT-SP). 

“Esse é o último gesto que nós fizemos ainda na gestão da procuradora Raquel Dodge, pedindo uma investigação, no STF, sobre possíveis crimes que foram cometidos pelos procuradores pelo então juiz Sergio Moro. Nós queremos que a sociedade saiba que ninguém está acima da lei, mesmo integrantes do Ministério Público e do Poder Judiciário quando agem em desconformidade com aquilo que a lei prevê”, disse Paulo Pimenta, lembrando que o mandato da procuradora termina na próxima terça-feira (17).   

“Não é possível que procuradores tenham, criminosamente, omitido escutas judiciais com a deliberada finalidade de construir uma tese própria à revelia dos fatos. Foi isso o que fizeram com o presidente Lula. Os procuradores omitiram elementos dos próprios ministros do STF, prejudicaram sua capacidade de julgar e isso não pode ficar impune”, afirmou Humberto Costa (PE). “Essa ilegalidade mudou o curso da história do País”, emendou o senador. 

O deputado João Daniel destacou que os parlamentares esperam que nesses últimos dias de mandato de Raquel Dodge à frente da PGR ela possa contribuir com o processo de investigação dos atos dos procuradores da Lava-Jato. “Porque são fatos graves, gravíssimos para a democracia brasileira”, afirmou o deputado.


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