Rede de agiotagem formada por colombianos e brasileiros é desbaratada na Região do Cariri, 11 pessoas foram presas


Foto: Lorena Tavares

A rede criminosa era controlada por colombianos e tinha participação de brasileiros

03 de Setembro de 2019 

Mais de R$ 2,4 milhões foram enviados à Colômbia por meio do esquema de agiotagem comandado por colombianos no Ceará. A rede criminosa foi alcançada pela Polícia Civil na Região do Cariri nesta terça-feira (3), quando 11 pessoas foram presas, sendo quatro colombianos e cinco brasileiros. Ainda é aguardada a quebra de sigilo bancário dos envolvidos, o que deve tornar o valor arrecadado com o crime ainda maior. Estima-se que até cem pessoas possam ter sido vítimas, principalmente pequenos comerciantes.  

O alvo da organização criminosa era majoritariamente formado por pequenos comerciantes moradores do Ceará, que não possuíam os documentos exigidos para conseguir créditos bancários, necessários para montar seus negócios. 

Além das cidades na região do Cariri, também foram identificadas vítimas em diversos outros municípios cearenses, como Iguatu e Quixadá, e mesmo em outros estados, como Pernambuco. 

Empréstimos

Os criminosos emprestavam geralmente quantias entre R$ 100 e R$ 3 mil, mas o valor podia ser ainda maior. De acordo com o delegado regional do Crato, Giuliano Sena, eram cobrados juros de 20% ao mês, com ameaças de extorsão, caso não fossem pagos. Além disso, se houvesse atraso, novos juros de 20% eram aplicados, ou seja, juros sobre juros. "As ofertas feitas por eles pareciam ser tentadoras. Eles distribuíam cartões com contatos e dizeres ‘empréstimos para comerciantes’ e com a opção de planos de pagamentos diários. Dessa forma, eles atraíam os clientes", expõe.

Familiares dos chefes do esquema recebiam o dinheiro enviado à Colômbia por meio de depósitos bancários. A polícia já identificou um dos responsáveis pela receptação dos valores. 

Rede de agiotagem

O esquema formado pelos agiotas consistia em pelo menos quatro níveis de pessoas operando. O colombiano Mario Andres Nunes Pietro era o comandante, além de ser associado com o brasileiro Paulo Morais de Lima, com quem mantinha uma empresa de transporte alternativo e uma construtora de fachada, utilizada para disfarçar a lavagem de dinheiro. 

Paulo Allef Rodrigues de Lima, filho de Paulo Morais, atuava como coordenador dos empréstimos. Darwin Plaza Alvarado trabalhava como fiscal, controlando diretamente as quantias emprestadas. Os cobradores, por sua vez, atuavam cobrando diretamente as vítimas e recebiam cerca de R$ 400 por semana pela função. 

A polícia calcula que três mil colombianos passaram pelo Ceará, em sua maioria para praticar esse tipo de crime. Eles costumam passar de seis meses a um ano, visitando diversas cidades. 

Prisão

Na manhã desta terça-feira (3) foram cumpridos 9 mandados de prisão, 31 de busca e apreensão e 17 de sequestros de bens nas cidades do Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Outras duas pessoas foram presas em flagrante pela prática de agiotagem.

Foram presos, por força de mandados de prisão, os colombianos Mario Andres Nunes Prieto (30), Omar Camargo Lizarazo (55), Jhon Edson Grajales Buitrago (29) e Darwin Plazas Alvarado (32), além dos brasileiros Dejesus Moreira Pires (25), Fabrício Duarte Monteiro (23), Jaqueline Maria da Silva (37), Paulo Aleff Rodrigues de Lima (26) e Paulo Morais de Lima (50).

Com os suspeitos foram apreendidos motocicletas, carros e R$ 23 mil em moeda nacional e estrangeira (dólar, euro e pesos colombianos).


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