Bolsonaro e Paulo Guedes farão corte em tarifas de importação visando beneficiar as empresas norte-americanas e que irá destruir indústria brasileira


Com Bolsonaro, crescimento da indústria em abril foi o menor em 6 meses
(Foto: Reuters | Abr)

Abertura radical da economia nacional às importações - que no caso do Brasil visa beneficiar as empresas norte-americanas -, não é praticada em nenhum outro país do mundo e, caso implementada, deverá resultar na destruição da indústria nacional, elevando o desemprego e aprofundando a recessão

22 de outubro de 2019

O governo Jair Bolsonaro estuda implantar um corte unilateral nas alíquotas de importação sobre produtos industrializado, reduzindo o imposto de 13,6% para 6,4%, em média, em até quatro anos. A ideia, avaliada pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes, é deixar o Brasil com alíquotas semelhantes às praticadas pelos países mais ricos do mundo, o que deverá resultar na quebra de parte do setor industrial brasileiro e beneficiar as empresas estrangeiras, mais especificamente às norte-americanas.

De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, as simulações sobre o assunto já teriam sido apresentadas aos demais países que integram o Mercosul e o assunto deverá ser discutido no início de dezembro, em uma reunião de cúpula que será realizada em Bento Gonçalves (RS). Apesar do documento já ter sido encaminhado ainda não houve uma resposta formal dos demais países que integram o Mercosul: Argentina, Uruguai e Paraguai.

Na mira da redução da Tarifa Externa Comum (TEC) estão sugestões de alíquotas para 10.270 NCMs, como são chamadas as nomenclaturas comuns do bloco econômico dos países do Mercosul. Na lista estão itens como automóveis de passageiros produzidos no exterior, além de produtos de vestuário e têxteis, cujas alíquotas seriam reduzidas de 35% para 12%.

Já os ônibus teriam a TEC diminuída dos atuais  35% para apenas 4% e os laminados a quente passariam de 12% para 4%. Nem mesmo um dos principais itens do setor petroquímico brasileiro deverá ficar de fora. Já que a intenção é reduzir o imposto para importação do polipropileno de 14% para 4%. Já os calçados seriam reduzidos de 31,8% para 12%, por exemplo.

A ameaça, porém, é ainda maior para parte do setor da indústria de transformação que, segundo a reportagem, poderá ter as tarifas de importação reduzidas em mais de 50%, abrindo caminho para as empresas estrangeiras em detrimento da indústria nacional.

O setor privado brasileiro diz que as discussões pela equipe econômica estão sendo levadas adiante sem que os produtores nacionais participem dos debates.


0 comentários:

[ Deixe-nos seu Comentário ]