RICARDO KOTSCHO | Fogo no Cabaré: Brasília ferve com briga de comadres pelo butim partidário



O colunista Ricardo Kotscho, do Jornalistas Pela Democracia, afirma que a briga no PSL é por dinheiro: "tudo gira em torno disso: quem vai ficar com a grana gorda para as próximas eleições. Ainda às voltas com os laranjais do ano passado, eles não se vexam de trocar de siglas – sim, porque não são partidos, apenas sopa de letras – como quem troca de camisa."

10 de outubro de 2019

Ricardo Kotscho é jornalista e integra o Jornalistas pela Democracia. Recebeu quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo e é autor de vários livros.

Por Ricardo Kotscho, para o Jornalistas Pela Democracia - Passei o dia longe do computador fazendo uma reportagem externa, como se dizia antigamente.

Não perdi nada, só ganhei.

Na rua, encontrei personagens da vida real lutando pela sobrevivência, trabalhando com alegria, mesmo quando o ganho é pouco.

Na tela do computador, rodando pelos portais de notícias, me deu um desânimo danado.

De um dia para outro, nada muda. São sempre os mesmos enganadores dando as cartas nesse cassino viciado e decadente chamado Brasil.

As manchetes do dia tratam da briga de comadres instalada por Bolsonaro no tal de PSL _ Partido Social Liberal, que não é social nem liberal _ para ver quem fica com o butim partidário. 

Alguém já tinha ouvido falar destas três letras que um tal de Luciano Bivar sublocou aos bolsonaros?

Tudo gira em torno disso: quem vai ficar com a grana gorda para as próximas eleições.

Ainda às voltas com os laranjais do ano passado, eles não se vexam de trocar de siglas – sim, porque não são partidos, apenas sopa de letras – como quem troca de camisa. 

Sem nunca ter se destacado como parlamentar em nenhum dos oito partidos pelos quais já passou, o capitão-presidente está em busca de outra legenda de aluguel.

No estoque de mais de 30 partidos, os seguidores da seita pensam até em criar mais um, com o pomposo nome de “Conservadores”.

Querem conservar o que, ainda que mal me pergunte?

Bando de pilantras milicianos, eles inventaram essa história de “nova política” só para continuar mamando nas verbas públicas, engabelando os incautos que pagam dízimos aos pastores.

São pés de chinelo do baixo clero, que assumiram o poder em conluio com generais de pijama e igrejas de fachada, e a conivência das guildas togadas.

Mal sabem falar, estão sempre olhando para os lados e atacam nas redes sociais como matilhas enfurecidas.

O lado bom dessa história é que, fora da telinha do computador e do celular, as pessoas já nem ligam mais para o que está acontecendo em Brasília e falam de outras coisas, tocam a vida do jeito que dá.

Não se trata de alienação, mas de uma questão de sobrevivência mental, pois ninguém aguenta mais esse circo de horrores instalado em Brasilia, com as raposas e as comadres se comendo, vendendo o país e destruindo nosso futuro.

Tem hora que é preciso sair desse ambiente poluído das redes sociais, que não levam a nada, e ir aonde o povo está, para ouvir gente que ainda canta e toma uma cervejinha sem culpa.

Em sua coluna de hoje na Flha, Elio Gaspari pergunta “Quando oi que isso tudo começou?”

Também gostaria de saber como é que de uma hora para outra um país como o nosso vira de ponta cabeça e vai se autodestruindo numa guerra sem quartel, sem noção e sem inimigos externos.

Gaspari localiza a primeira visão da desgraça na reação das plateias ao filme “Tropa de Elite”, em 2007, quando a malta aplaudia os torturadores e se divertia com o todo-poderoso Capitão Nascimento no papel de herói da repressão acima de tudo.

Depois eles se organizariam em miliciais para tomar o poder nas comunidades dos subúrbios cariocas até chegar a Brasília triunfantes no ano passado, no embalo do justiceiro Sergio Moro, o chefão da Lava Jato que destruiu o sistema político e arrasou a economia.

Os trogloditas enrustidos foram saindo do armário e tomando conta do picadeiro.

Acima das leis e da Constituição, implantaram no país um regime de vale-tudo, baseado no medo e no terror, que destrói as florestas e os empregos, mata gente nas favelas e nos brumadinhos, com a vida valendo cada vez menos.

Foi tudo muito rápido, avassalador, a tropa de ocupação eleita por fake news avançando célere sobre a democracia e o Estado de Direito, sem encontrar resistência.

Isso não tem como dar certo. Tudo tem limite.

vida que segue. 

Passei o dia longe do computador fazendo uma reportagem externa, como se dizia antigamente.

Não perdi nada, só ganhei.

Na rua, encontrei personagens da vida real lutando pela sobrevivência, trabalhando com alegria, mesmo quando o ganho é pouco.

Na tela do computador, rodando pelos portais de notícias, me deu um desânimo danado.

De um dia para outro, nada muda. São sempre os mesmos enganadores dando as cartas nesse cassino viciado e decadente chamado Brasil.

As manchetes do dia tratam da briga de comadres instalada por Bolsonaro no tal de PSL _ Partido Social Liberal, que não é social nem liberal _ para ver quem fica com o butim partidário.

Alguém já tinha ouvido falar destas três letras que um tal de Luciano Bivar sublocou aos bolsonaros?

Tudo gira em torno disso: quem vai ficar com a grana gorda para as próximas eleições.

Ainda às voltas com os laranjais do ano passado, eles não se vexam de trocar de siglas – sim, porque não são partidos, apenas sopa de letras – como quem troca de camisa.

Sem nunca ter se destacado como parlamentar em nenhum dos oito partidos pelos quais já passou, o capitão-presidente está em busca de outra legenda de aluguel.

No estoque de mais de 30 partidos, os seguidores da seita pensam até em criar mais um, com o pomposo nome de “Conservadores”.

Querem conservar o que, ainda que mal me pergunte?

Bando de pilantras milicianos, eles inventaram essa história de “nova política” só para continuar mamando nas verbas públicas, engabelando os incautos que pagam dízimos aos pastores.

São pés de chinelo do baixo clero, que assumiram o poder em conluio com generais de pijama e igrejas de fachada, e a conivência das guildas togadas.

Mal sabem falar, estão sempre olhando para os lados e atacam nas redes sociais como matilhas enfurecidas.

O lado bom dessa história é que, fora da telinha do computador e do celular, as pessoas já nem ligam mais para o que está acontecendo em Brasília e falam de outras coisas, tocam a vida do jeito que dá.

Não se trata de alienação, mas de uma questão de sobrevivência mental, pois ninguém aguenta mais esse circo de horrores instalado em Brasilia, com as raposas e as comadres se comendo, vendendo o país e destruindo nosso futuro.

Tem hora que é preciso sair desse ambiente poluído das redes sociais, que não levam a nada, e ir aonde o povo está, para ouvir gente que ainda canta e toma uma cervejinha sem culpa.

Em sua coluna de hoje na Flha, Elio Gaspari pergunta “Quando oi que isso tudo começou?”

Também gostaria de saber como é que de uma hora para outra um país como o nosso vira de ponta cabeça e vai se autodestruindo numa guerra sem quartel, sem noção e sem inimigos externos.

Gaspari localiza a primeira visão da desgraça na reação das plateias ao filme “Tropa de Elite”, em 2007, quando a malta aplaudia os torturadores e se divertia com o todo-poderoso Capitão Nascimento no papel de herói da repressão acima de tudo.

Depois eles se organizariam em miliciais para tomar o poder nas comunidades dos subúrbios cariocas até chegar a Brasília triunfantes no ano passado, no embalo do justiceiro Sergio Moro, o chefão da Lava Jato que destruiu o sistema político e arrasou a economia.

Os trogloditas enrustidos foram saindo do armário e tomando conta do picadeiro.

Acima das leis e da Constituição, implantaram no país um regime de vale-tudo, baseado no medo e no terror, que destrói as florestas e os empregos, mata gente nas favelas e nos brumadinhos, com a vida valendo cada vez menos.

Foi tudo muito rápido, avassalador, a tropa de ocupação eleita por fake news avançando célere sobre a democracia e o Estado de Direito, sem encontrar resistência.

Isso não tem como dar certo. Tudo tem limite.

vida que segue.


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