GUSTAVO CONDE | Que tempos: enquanto Petra Costa é indicada ao Oscar, Regina Duarte é convidada para substituir secretário nazista


Jair Bolsonaro e Regina Duarte
 (Foto: Reprodução)

"O convite à Regina Duarte mostra como Bolsonaro está isolado na presidência. Aparentemente, ninguém se atreveu a recomendar nomes. O governo não tem base partidária, não tem a confiança dos artistas e está sob forte pressão diante dos escândalos que começam a pipocar", diz o colunista Gustavo Conde, sobre a possível nomeação de Regina Duarte para a secretaria da Cultura

18 de janeiro de 2020

Gustavo Conde é linguista.

XXX

O convite à Regina Duarte mostra como Bolsonaro está isolado na presidência. Aparentemente, ninguém se atreveu a recomendar nomes. O governo não tem base partidária, não tem a confiança dos artistas e está sob forte pressão diante dos escândalos que começam a pipocar.

Bolsonaro deve ter falado: "vai essa daí mesmo".

Regina Duarte pode ter de interpretar o pior papel de sua carreira: o de secretária do Sinhozinho Malta que adora chacoalhar o relógio da boçalidade e da violência.

A Viúva Porcina golpista deve estar encantada com o convite, pronta a chamar a empregada Mina para ser sua escrava em Brasília e aguentar seus gritos enlouquecidos.

"Minaaaaaaaa!"

O Planalto vai tremer. 

A Rainha da Sucata vai terminar de sucatear a cultura brasileira e ainda estampar aquele grande sorriso borrado de batom para dizer que tudo é uma grande festa a ser degustada nesse Brasil alegre e fascista.

O mais pitoresco é que Regina Duarte pode levar o imaginário das novelas da Globo para dentro do governo. O eleitor de Bolsonaro entende de novela, o grande produto subcultural do Brasil-que-a-Globo-inventa dos últimos 55 anos.

Cultura de novela é isso aí: bolsonarismo. O movimento político gestado por 55 anos de Rede Globo no cérebro corroído do povo brasileiro. 

A namoradinha do fascismo pode até explicar direito para o novo patrão como é que funciona o pagamento de atores na Rede Globo, já que ela mesma deve ter recebido quantias isentas da fatia do Leão devido às pedaladas fiscais da Vênus Platinada.

Vai ser uma festa.

E que responsabilidade a da atriz-quase-secretária, convenhamos. Herdar um cargo de alguém que caiu por fazer apologia barata ao nazismo deve ser uma das coisas mais agradáveis da carreira de um profissional da Cultura.

Regina vai pôr a Damares no chinelo como a nova inspiração feminina de um governo misógino.

É cinto de castidade, abstinência sexual (e intelectual) e muita inovação no campo da re-escrita da história.

Ditadura, nunca mais. Mas "nunca mais" no Enem, no cinema e nas novelas, não na vida real (esta já está sob nova ditadura).

Nem Nelson Rodrigues poderia pensar em um roteiro tão extravagante.

Regina Duarte pode acabar não aceitando o cargo de secretária da Cultura. Ela já disse não estar preparada.

O problema é que esse é o principal requisito para fazer parte do governo de Bolsonaro: não estar preparado.

De qualquer forma, só o papel coadjuvante que é estar em um imbrógio repulsivo de apologia ao nazismo e cantilenas à tortura e desova de corpos já eleva a atriz veterana a uma posição de destaque no almanaque das coisas bizarras do mundo bolsonaro.

E, sem querer humilhar, choremos e oremos em ritmo carnavalesco: enquanto Petra Costa é indicada ao Oscar, Regina Duarte é convidada para secretaria da Cultura de Bolsonaro. 

Lúcifer não pensaria em uma vingança mais amarga para a ex-namoradinha do Brasil.


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