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São Gonçalo do Amarante - CE - Quinta-feira 03 Dezembro de 2020 - Ano: XIII - Edição: 4.428

Sem moral, mas atrevidos: Deltan Dallagnol e Robito tentam constranger ex-presidente do STF



Por Joaquim de Carvalho - 8 de janeiro de 2020

​Com postagens hoje no Twitter, os procuradores Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon mostram que continuam parceiros muito próximos. Na resposta ao ministro Ricardo Lewandowski, um levantou, o outro cortou. Foi um momento que lembrou a trama dos dois para ganhar dinheiro com a exposição e network proporcionados pela Lava Jato e driblar a legislação.

Roberson, que Deltan Dallagnol chama de Robito, disse hoje no Twitter:

“A verdade é que com a decisão do STF que impôs o fim da prisão em segunda instância as solturas não foram nem um pouco seletivas. Os oligarcas condenados foram soltos de maneira ampla e abrangente.”

Deltan Dallagnol arrematou:

“Quantas pessoas o Supremo condenou até agora na Lava Jato, quase 6 anos depois? O esquema era político partidário, permeado de muitos detentores de foro privilegiado”.

A dupla Deltan e Robito insinuou que o STF protege os poderosos — seria uma acusação de prevaricação? — depois que o El País publicou uma entrevista de Ricardo Lewandowski, em que ele deu respostas bem fundamentadas.

O ministro, ex-presidente do STF, disse que a Lava Jato fez operações seletivas e que pode ter sido uma farsa.

“A verdade é que as operações foram extremamente seletivas, elas não foram democráticas no sentido de pegar os oligarcas de maneira ampla e abrangente. Por isso é preciso ter muito cuidado quando se quer fragilizar os direitos e garantias do cidadão em juízo, dentro de um contexto politicamente matizado. Eu acho que há valores de que não se pode abrir mão de forma nenhuma. São valores que resultam de lutas milenares dos povos contra a autocracia, a tirania, a opressão. É por isso que eu digo que essa avaliação episódica que certas operações produziram pode se mostrar no futuro próximo — e não digo um futuro distante — realmente uma falácia.”

Lewandowski lembrou que, historicamente, o combate à corrupção tem sido usado no Brasil como “mote” para promover “retrocessos institucionais”, citou o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e o golpe de 1964.

“É uma visão moralista política do combate à corrupção, a meu ver, absolutamente deletéria. O combate à corrupção tem que ser feito diuturnamente, permanentemente, mas existem outros males igualmente graves no Brasil: a má distribuição de renda, a exclusão social, o sucateamento da educação, a precarização da saúde pública. São males que equivalem, se não são superiores, ao mal da corrupção”, afirmou.

Dallagnol e seu quase sócio Robito poderiam ter ficado em silêncio, mas isso é impossível para quem parece ver a Lava Jato como um patrimônio particular ou um instrumento para a elevação do próprio patrimônio.

Que moral tem Robito para dar lição de moral a quem está no topo do Judiciário no Brasil e tem uma trajetória acadêmica que inclui os principais títulos da Universidade de São Paulo, uma das melhores do país?

Em 14 de julho do ano passado, a Folha de S. Paulo divulgou os diálogos comprometedores que ele trocou com Deltan Dallagnol, que revelam a intenção dos dois de burlar a lei.

As mensagens foram trocadas em dezembro de 2018, num grupo do Telegram de que participavam também as respectivas esposas de Dallagnol e Robito. Ele discutiam a criação de uma empresa para realizar palestras e outros eventos.

“Antes de darmos passos para abrir empresa, teríamos que ter um plano de negócios e ter claras as expectativas em relação a cada um. Para ter plano de negócios, seria bom ver os últimos eventos e preço”, disse Dallagnol.

Robito respondeu: ”Temos que ver se o evento que vale mais a pena é: i) Mais gente, mais barato ii) Menos gente, mais caro. E um formato não exclui o outro.”

Dallagnol, se dirigindo à esposa, explicou que seu objetivo era ganhar dinheiro:

“Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”.

Dois meses depois, Dallagnol conversou com Robito sobre uma forma de driblarem a legislação. Ele cogitou se associarem a uma empresa que já o contratava para palestras, a Star, de Fernanda Cunha.

“Gostei da ideia, Delta!”, comemorou Robito. “E se falássemos pra ela que a divisão seria por 5 (20% cada um). Você acha que ela toparia?”, acrescentou.

O coordenador da força-tarefa ponderou, como se fosse um executivo de empresa:

“Ela ganha 20% sobre palestrantes sem fazer muito esforço… e aqui ela faria toda a organização… acho que os 20% não vão servir de estímulo, mas posso ver com ela.”

Falando com as respetivas esposas, Dallagnol disse que elas teriam as funções gerenciais na empresa:

“Só vamos ter que separar as tratativas de coordenação pedagógica do curso que podem ser minhas e do Robito e as tratativas gerenciais que precisam ser de Vcs duas, por questão legal”.

Mas, pelo diálogo a seguir, Dallagnol mostra que só seria fachada:

“É bem possível que um dia ela seja ouvida sobre isso pra nos pegarem por gerenciarmos empresa.”

Robito aprovou:

“Assim vai funcionar, Delta. Ótima ideia.” E diz:

“Se chegarem nesse grau de verificação é pq o negócio ficou lucrativo mesmo rsrsrs. Que veeeenham.”

A dupla, pelo que fica demonstrado, sempre se preocupou com ganhos particulares decorrentes da Lava Jato.

O combate à corrupção é só meio. O que eles sempre quiseram mesmo foram fama, poder e dinheiro. E hoje arriscam até polemizar com um ex-presidente do Supremo.

No fundo, no fundo, comportam-se como aventureiros que nada têm a perder.

Só não sabem que enganam cada vez menos brasileiros.


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