Bolsonaro ordena a Paulo Guedes a dobrar seu pibinho


Paulo Guedes e Jair Bolsonaro
Paulo Guedes e Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Perdeu a paciência com os péssimos resultados da economia e agora exige crescimento de pelo menos 2% em 2020 – o que ainda assim seria pibinho

21 de fevereiro de 2020

O "Posto Ipiranga" Paulo Guedes não está mais com essa bola toda e vem sendo pressionado por Jair Bolsonaro a entregar resultados melhores na economia. "Alçado a superministro no começo do mandato, Guedes tem sido pressionado, desde o início deste ano, a mostrar seus feitos na economia. Diante de um pessimismo com a redução da projeção do PIB (Produto Interno Bruto), o presidente reforçou a Guedes a necessidade de que, neste ano, a atividade econômica cresça, no mínimo, 2%. Segundo assessores presidenciais, Bolsonaro fez o pedido a Guedes em uma reunião nesta semana. Como resposta, o ministro afirmou que será possível atingir, ou até superar, o percentual. No entanto, a resposta não tranquilizou o presidente", informa reportagem de Gustavo Uribe e Fábio Pupo, na Folha de S. Paulo.

Bolsonaro está também insatisfeito com a disparada do dólar e as falas desastradas de Guedes, que chamou servidores públicos de parasitas e atacou empregadas domésticas. Confira reportagem da Reuters sobre o dólar e vídeo da TV 247 sobre a crise com Guedes: 

(Reuters) - O dólar bateu o terceiro recorde histórico consecutivo nesta quinta-feira, desta vez se aproximando de 4,40 reais, em mais um dia de força da moeda no exterior e com o pano de fundo doméstico oferecendo poucos argumentos à entrada de vendedores no mercado.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, repetiu em evento mais cedo nesta quinta que o novo normal é um câmbio mais desvalorizado, em declaração feita na presença do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que dois dias atrás disse que o BC está “tranquilo” com o câmbio uma vez que não tem havido impactos sobre a inflação.

Pela manhã, o IBGE divulgou que o IPCA-15 foi o mais baixo para fevereiro desde 1994. O número reforça leituras de que o BC tem espaço para voltar a cortar os juros, especialmente num contexto em que a economia dá sinais de maior lentidão e instituições financeiras rebaixam projeções para o PIB —tudo conspirando contra maior entrada de capital no país. 

“Esse mix nos sugere que a barra para mais altas dos juros está muito mais alta do que para cortes adicionais”, disseram estrategistas do Morgan Stanley. A queda dos juros tem pressionado o real conforme dissipa a atratividade da moeda como ativo de investimento.

Apesar de a alta nominal de quase 10% do dólar neste ano não ser claramente percebida em índices de preços ao consumidor, o gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos, Roberto Serra, considera que o mercado pode estar flertando com uma dinâmica “nociva”.

“O mercado cansou de tentar vender dólar, já que o BC tem feito atuação mínima e não parece sinalizar preocupação alguma”, afirmou. “A impressão é que (em Brasília) se quer mesmo um dólar para cima. Esse patamar de dólar está totalmente fora do radar e gera mais incerteza.” 

O dólar à vista fechou em alta de 0,59%, a 4,3916 reais na venda, deixando para trás a máxima anterior, de 4,3657 reais, marcada na véspera.

Na terça-feira, o dólar já havia fechado em um pico de 4,358 reais.

Na máxima do pregão desta quinta-feira, a cotação saltou a 4,3991 reais, novo recorde intradia.

No ano, o dólar acumula valorização de 9,44%. O real tem o pior desempenho numa lista de 33 moedas desde o começo de 2020.

Na B3, o dólar futuro tinha alta de 0,61% nesta quinta-feira, a 4,3925 reais.

No exterior, o índice do dólar frente a uma cesta de moedas saltava a máximas desde abril de 2017. Contra moedas emergentes, o dólar tinha ampla valorização nesta quinta, com peso mexicano (-1,4%), peso chileno (-1,34%), won sul-coreano (-1%) e rand sul-africano (-0,9%) liderando as perdas.


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