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São Gonçalo do Amarante - CE - Quinta-feira 03 Dezembro de 2020 - Ano: XIII - Edição: 4.428

Em cinco anos, São Gonçalo do Amarante expande educação inclusiva em 619%



Em 2014, o número de estudantes da rede pública, com deficiência psicomotora, atendidos por núcleo de apoio era de 125 e passou a 899 em 2019 


10 Março 2020 

O município de São Gonçalo do Amarante (a 55 km de Fortaleza) registrou um crescimento de 619% no atendimento especializado a estudantes da rede pública de ensino com algum tipo de deficiência psicomotora, entre os anos de 2013 e 2018. 

O resultado foi apresentado em balanço do Núcleo de Apoio à Educação Inclusiva (Naedi), ligado à Secretaria Municipal de Educação (SME). No início de 2014, o núcleo atendia 125 alunos da rede municipal de ensino, tendo passado a 899 em 2019.  

Uma dessas crianças é o Luís Eduardo, de 6 anos. O menino foi diagnosticado autista há pouco mais de um ano em uma consulta com uma psicóloga do Naedi. A mãe dele, Fabiana Sousa de Oliveira, é baiana e o pai é gonçalense. Fabiana conta que no início ficou relutante em mudar para o Ceará com o filho, mas após o pai matriculá-lo em uma atividade no núcleo durante as férias escolares, ela se convenceu de que o Luís Eduardo poderia ter um acompanhamento melhor e um desenvolvimento mais acentuado no Ceará. 

“A partir da conversa com a psicóloga Márcia que eu percebi o meu papel de mãe na vida dos meus filhos e como ele poderia ser ajudado aqui. A equipe do Naedi toda, aliás, trabalha não apenas por profissionalismo, mas por amor”, define Fabiana. Depois de ter mudado para São Gonçalo do Amarante, ela e o pai de Luís Eduardo seguiram apoiando o acompanhamento do filho pelo núcleo. 

“Eu já havia levado ele a psiquiatras particulares na Bahia e em Recife, mas foi aqui que eu vi resultado. Hoje, ele brinca e conversa com os coleguinhas de escola, melhorou a interação dele com tudo. Antes, ele não mexia com massa de modelar, por exemplo, e agora ele faz isso e muitas outras coisas que não conseguia. Mudou 100%. A equipe aqui é nota mil”, disse. 

Além do acompanhamento educacional, o Naedi encaminhou 52 crianças e adolescentes para avaliação diagnóstica psiquiátrica, 32 para postos de saúde ou policlínicas, 18 para o Conselho Tutelar e 10 para o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), de acordo com as realidades específicas vividas por esses estudantes. 

Para a coordenadora do núcleo, Celsa Alves Teixeira, a expansão no atendimento tanto em termos numéricos quanto em termos de ações concretas para a melhoria da qualidade de vida desses alunos é fruto da melhoria na estrutura física e administrativa do Naedi e da realização de parcerias com outras instituições. 

“Quando foi criado em 2008, a equipe de atendimento era restrita a duas profissionais, tendo passado atualmente a 11: uma coordenadora, três psicopedagogas, dois psicólogos, duas terapeutas ocupacionais, uma fonoaudióloga, uma psicomotrista e um psiquiatra”, enumerou a coordenadora. 

Projetos 

O Naedi tem atuado também por meio de projetos que tratam de questões mais específicas, tais como a inclusão profissional, a prevenção ao abuso sexual e à automutilação, bem como facilitar o diagnóstico de autismo, por exemplo. É o caso do projeto “O Que Vou Fazer Quando Crescer” direcionado, principalmente para alunos do 8º e do 9º ano do ensino fundamental. 

“A iniciativa visa preparar o aluno para que ele saia melhor preparado desse contexto educacional para o ensino médio. Alguns deles se veem com poucas perspectivas de futuro e é também aí que os cuidadores entram em cena para, por meio do diálogo com os educandos, abrir mentes para enxergar os horizontes que a vida pode proporcionar”, esclarece Celsa. 

Aprendizagem facilitada 

Para a secretária municipal de Educação Marineide Clementino, “o trabalho do Naedi, garante a formação do aluno na própria escola, transforma a vida de alunos com algum tipo de deficiência cognitiva ou sensorial, trazendo melhorias na socialização dessas crianças e adolescentes com familiares, colegas e professores e com a comunidade em geral". 

Ela acrescenta que “todas as crianças são capazes de aprender, mas esse é um processo que precisa ser acompanhado individualmente e o Naedi é um instrumento adicional que a prefeitura proporciona para aquelas que têm necessidades especiais aprendam sempre mais”.

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