Jair Bolsonaro usa pronunciamento para mentir mais uma vez sobre a OMS



Além da distorção, o presidente exaltou o auxílio emergencial de R$ 600 aprovado pelo Congresso, que ainda não foi implementado por ele, e voltou a falar na cloroquina 
Por Lucas Rocha | 31/03/2020‌ ‌ ‌
O presidente Jair Bolsonaro fez um novo pronunciamento em cadeia nacional nesta terça-feira (31) em razão da pandemia do novo coronavírus. O mandatário repetiu a distorção que fez da declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para defender o fim do confinamento. 

Bolsonaro disse que são importantes as medidas de contenção, mas que “precisa pensar nos mais vulneráveis”. “O que será do camelô, da diarista?”, questionou o presidente ao afirmar que está seguindo recomendação da OMS. 
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A organização já foi às redes corrigir a interpretação equivocada do presidente brasileiro. “Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS”, disse o diretor-geral da OMS.

Bolsonaro ainda anunciou “medidas do governo” e citou a criação do auxílio mensal emergencial de R$600 a R$1200, que foi aprovado no Congresso Nacional por pressão da oposição e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia mas não foi implementada pelo governo. 
O presidente voltou a citar a hidroxicloroquina, apesar de ressaltar que não foi comprovada a eficácia do medicamento.
Segundo reportagem da revista Crusoé, o discurso do presidente foi escrito por ele próprio e não foi revelado nem mesmo a assessores.

‌Enquanto o presidente fazia um pronunciamento foram ouvidos fortes panelaços em todo o país em razão da postura do ex-capitão diante do novo coronavírus. Em alguns lugares, as mobilizações nas janelas acontecem diariamente desde o dia 17 de março.

Governo em crise‌
O pronunciamento de Bolsonaro acontece em meio a uma enorme instabilidade em seu governo em razão da forma com que ele tem lidado com o surto do novo coronavírus. O ex-capitão chegou a chorar em uma reunião com interlocutores no Palácio do Planalto.


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