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São Gonçalo do Amarante - CE - Quinta-feira 24 de setembro de 2020 - Ano: XII - Edição: 4.358

ALTAMIRO BORGES | Paranoico, o “capetão” agora fuzila Maia


(Foto: Marcos Corrêa - PR)

"Após humilhar e enxotar seu ministro da Saúde, ele agora resolveu declarar guerra ao presidente da Câmara Federal, o demo Rodrigo Maia – seu maior aliado na pauta econômica ultraneoliberal no parlamento", escreve o colunista Altamiro Borges

19 de abril de 2020

Altamiro Borges é responsável pelo Blog do Miro - Uma trincheira na luta contra a ditadura midiática 
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O "capetão" Bolsonaro está cada dia mais paranoico – haja arminhas debaixo do travesseiro. Após humilhar e enxotar seu ministro da Saúde, ele agora resolveu declarar guerra ao presidente da Câmara Federal, o demo Rodrigo Maia – seu maior aliado na pauta econômica ultraneoliberal no parlamento.

Segundo o site UOL, "o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou o presidente da Câmara pela 'péssima atuação' nas propostas econômicas para enfrentar a crise do coronavírus. Segundo ele, Maia está conduzindo o país ao 'caos' e está 'enfiando a faca no governo'".

Em entrevista à CNN, o "capetão" paranoico surtou de vez: "O sentimento que eu tenho é que ele [Maia} não quer amenizar os problemas. Ele quer atacar o governo federal, enfiar a faca. Parece que a intenção é me tirar do governo. Paulo Guedes não tem mais contato com Maia".

Na mesma entrevista à amigável emissora, Bolsonaro não poupou tiros contra o cacique do DEM. "Parece que a intenção é outra por parte do Rodrigo Maia. Ele está conduzindo o Brasil ao caos... Qual a intenção? Esculhambar a economia para que eles possam voltar em 2022?"

Diante do tiros na CNN, Rodrigo Maia reagiu: "O presidente ataca com um velho truque da política. Quando você tem uma notícia ruim, como a da demissão de Mandetta, ele quer trocar o tema da pauta. O nosso tema continua sendo a saúde e as ações conduzidas pelo ministro Mandetta".

A bravata do "dossiê da inteligência" 

Já a Folha relata que o psicopata não está em guerra apenas contra o presidente da Câmara Federal. "Bolsonaro tem dito a parlamentares que recebeu um dossiê com informações de inteligência de que Rodrigo Maia (DEM), João Doria (PSDB) e um setor do STF estão tramando um plano para dar um golpe e tirá-lo do governo".

A Folha informa que Bolsonaro "não apresentou a nenhum deputado ou senador qualquer prova do suposto plano arquitetado... Não é a primeira vez que ele fala sobre supostos planos para lhe atingir. Em março, disse que a eleição de 2018 foi fraudada e que tinha provas, mas nunca as mostrou".

A paranoia de Bolsonaro deve crescer nos próximos dias. Segundo o Estadão, "a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados deu prazo de 30 dias para que ele apresente à Casa o resultado de seus exames para a Covid-19. Requerimento de informações foi apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG)". 

O Estadão registra que "o Palácio do Planalto ainda não comentou a decisão... Caso não responda ou omita informações, o presidente Bolsonaro poderá incorrer em crime de responsabilidade. A lei obriga autoridades do Executivo a prestar informações solicitadas pela Câmara ou pelo Senado Federal".

Trump e seu vira-lata sarnento

Após jurar que a pandemia era "histeria", Donald Trump agora tenta esconder os mortos nos EUA. Ataca os governadores, especialmente o de Nova York; estimula protestos pela reabertura da economia; e vira garoto propaganda da cloroquina. Bolsonaro, o capacho brasileiro que presta continência aos EUA, nem criativo é!

Como afirma o jornalista Kennedy Alencar, "Estados Unidos e Brasil têm presidentes que precisam sempre estar em conflito para fugir de suas responsabilidades. A diferença é que Jair Bolsonaro consegue ser mais ignorante do que Trump".

A imprensa internacional foi mais dura do que a brasileira nas críticas à troca do ministro da Saúde em plena pandemia. Jornais de prestígio, como New York Times, Le Monde e The Guardian, apontaram que a mudança pode causar relaxamento das medidas de isolamento social no pico do coronavírus.

A mídia mundial destacou os "panelaços" contra a demissão de Mandetta. O Financial Times afirmou que a exoneração "provocou furor". Já o britânico The Guardian publicou entrevista com Lula. O ex-presidente afirmou que “Bolsonaro está conduzindo o Brasil para o matadouro”.

Brasil 247

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