Bolsonaro é incapaz de presidir o Brasil, diz cientista político Paulo Velasco da UERJ


A estratégia de Bolsonaro para ganhar perdendo: mandato para matar!
(Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Paulo Velasco, da UERJ, diz que as posições de Jair Bolsonaro "certamente colocam em xeque o caráter do nosso presidente e sua capacidade de governar o Brasil nesse momento de dificuldade"

1 de abril de 2020

Sputinik – O posicionamento do presidente Jair Bolsonaro em relação à pandemia do coronavírus tem ganhado destaque no cenário internacional, sobretudo suas críticas ao isolamento social e a orientações da Organização Mundial da Sáude (OMS).

Para o diretor do Curso de Relações Internacionais da UERJ e pesquisador do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), Paulo Velasco, o isolamento que o presidente Jair Bolsonaro vivencia no cenário internacional não deve prejudicar as relações internacionais do Brasil, mas refletem um "despreparo e uma inépcia" do presidente para lidar com a crise.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista afirmou que as posições de Bolsonaro "mais minam a imagem do nosso líder do que a imagem do Brasil". "Até porque a comunidade internacional percebe que essa postura do presidente não é seguida, por exemplo, pelos governadores dos estados brasileiros", argumentou.

​De acordo com ele, as posições de Jair Bolsonaro "certamente colocam em xeque o caráter do nosso presidente e sua capacidade de governar o Brasil nesse momento de dificuldade".

Ao comentar a mudança de posicionamento de líderes mundiais como o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que passaram a adotar medidas de maior isolamento por conta da gravidade da crise do coronavírus, Paulo Velasco afirmou que isso demonstra um "isolamento crescente" de Bolsonaro.

"Trump, que mantinha uma posiçao negacionista em relação à gravidade a crise provocada pela pandemia do coronavírus, nos últimos dias adequou a sua posição, assumindo um discurso muito mais cauteloso e inclusive defendendo a lógica da quarentena e do distanciamento social. E vemos que na medida em que Bolsonaro se mantém firme nas suas posições de minimizar o impacto da pandemia, ele verdadeiramente acaba se isolando de maneira crescente na cena internacional", declarou o especialista.

"Essa postura do presidente de desprezar absolutamente as posições da comunidade científica, dos especialistas, da própria Organização Mundial da Saúde, afeta muito a sua imagem como governante e acaba de certa maneira também comprometendo a legitimidade do governo brasileiro", acrescentou.

Paulo Velasco destacou, no entanto, que tais posições de Jair Bolsonaro "não chegam a ser uma surpresa", lembrando que ele "já assumiu um discurso negacionista, por exemplo, sobre os impactos do aquecimento global".

No balanço desta terça-feira (31), o Ministério da Saúde informou que o Brasil chegou a um número de 201 pessoas mortas e 5.717 casos confirmados de coronavírus.


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