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São Gonçalo do Amarante - CE - Quarta-feira 30 de setembro de 2020 - Ano: XII - Edição: 4.364

Bolsonaro usa caso Marielle para rebater Sérgio Moro


(Foto: Reprodução)

Apesar das suspeitas de envolvimento das milícias ligadas à sua família no assassinato de Marielle Franco, Bolsonaro diz que a PF de Moro se dedicou mais a este caso do que a da suposta facada de Juiz de Fora

24 de abril de 2020

Em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira 17, horas depois de Sergio Moro ter anunciado sua saída do governo, Jair Bolsonaro partiu para cima do ex-ministro da Justiça e disse que não interferiu na Polícia Federal, como acusou o ex-juiz. “Eu não tenho que pedir autorização” para trocar comando da PF, declarou.

Apesar das suspeitas de envolvimento das milícias ligadas à sua família no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), Bolsonaro disse que a PF de Moro se dedicou mais a este caso do que a da suposta facada contra ele em Juiz de Fora (MG) durante a campanha presidencial. “Entre meu caso e o da Marielle, o meu tá muito menos difícil de solucionar”, declarou.

“Eu não tenho que pedir autorização para ninguém para trocar o diretor, ou qualquer outro que esteja na pirâmide. Será que é interferir na Polícia Federal, pedir, quase que exigir quem mandou matar Jair Bolsonaro? A PF se preocupou mais com Marielle do que o seu chefe. Entre o meu caso e a Marielle, o meu está muito mais próximo de ser solucionado”.

Bolsonaro disse que Moro “tem compromisso com seu ego, não com país” e que espera que a Polícia Federal seja usada em “sua plenitude”. Segundo ele, o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, que foi exonerado sem acordo prévio com Moro, foi quem pediu para deixar o cargo. “Todo mundo fica cansado”, disse.

“Queremos que a PF seja usada em sua plenitude. Que as operações sejam no mínimo mantidas. Se depender de mim, potencializadas. Como o senhor Valeixo disse que estava cansado, eu comecei a fazer gestões para trocar o diretor da Polícia Federal. Eu sempre abri o coração para Moro. Eu já duvido se ele abriu para mim”, afirmou.

Ele negou ter interferido na PF para obter informações sigilosas. “Nunca pedi a ele o andamento de qualquer processo”, reforçou, ressaltando que a indicação era prerrogativa sua, conforme determina a lei. “Nunca pedi para blindar ninguém da minha família. Jamais faria isso”, negou ainda.


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