LEONARDO ATTUCH | Um escarro para a posteridade


 
(Foto: Reprodução)

“A imagem do Brasil nesses tempos trevosos está consolidada: é a de um presidente que se nega a apresentar seu teste de coronavírus, sai às ruas, assoa o nariz e, em seguida, dá as mãos a uma vovozinha”, diz o jornalista Leonardo Attuch, editor do 247


10 de abril de 2020

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247, além de colunista das revistas Istoé e Nordeste

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O governo de Jair Bolsonaro, dure o quanto durar, já está condenado. Será marcado por uma depressão econômica sem precedentes na história do País, recorde de desemprego e milhares de mortes decorrentes da pandemia de coronavírus. Antes disso, já era um desastre, com sua violência retórica, seu ataque às instituições, sua submissão aos interesses internacionais e todas as tragédias ambientais que já ocorreram, como as queimadas na Amazônia, a catástrofe de Brumadinho e o derramamento de óleo nas praias do Nordeste.

Todos nós, com um mínimo de bom senso, já sabíamos do desastre anunciado, mas ainda nos faltava a imagem-síntese deste período trevoso de nossa história, uma era em que todas as maldições foram derramadas sobre o povo brasileiro.

Pois bem: a imagem chegou nesta sexta-feira da Paixão, dia em que os judeus comemoram a Páscoa e os cristãos celebram a ressurreição de Jesus Cristo. A imagem é a de um escarro. Não um escarro qualquer. Um escarro filmado e transmitido para o mundo inteiro como o retrato perfeito do personagem que lidera o Brasil. Não um escarro apenas. Mas um escarro seguido de um cumprimento de mãos a uma velha senhora.

Terá ela sido contaminada? Não sabemos. Bolsonaro, o “atleta” que comparou o coronavírus a uma “gripezinha”, se nega a apresentar o resultado de seu exame, muito embora 25 membros de sua comitiva na viagem ao resort de Donald Trump tenham sido infectados. Seja qual for o destino da vovozinha que recebeu aquele aperto de mãos, sabemos que o Brasil está doente e representa hoje a maior ameaça à civilização mundial.

Todos também sabemos que poderia ser diferente. Não era uma “escolha muito difícil” optar entre um professor universitário e um apologista da morte. Todos aqueles que aceitaram perder sua humanidade e apertaram 17 ou se omitiram em 2018 são co-responsáveis pela imagem do Brasil, que é esta que segue abaixo, a de um escarro para a posteridade:



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