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São Gonçalo do Amarante - CE - Domingo 29 de novembro de 2020 - Ano: XIII - Edição: 4.424

As ruas não serão dos fascistas


1 junho de 2020 

A paisagem de domingo (31) na Avenida Paulista, centro expandido da capital, testemunhou uma potente manifestação pela democracia organizada por integrantes das torcidas de times de futebol de São Paulo. Atos semelhantes ocorreram no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.

As manifestações dos integrantes de torcidas organizadas foram impulsionadas pelos eixos da luta pela democracia e contra a ocupação das ruas pelos bandos neofascistas estimulados pelo presidente Jair Bolsonaro. 

Nas últimas semanas, grupos de nítidas inspirações neofascistas passaram a realizar atos de rua de afronta à democracia e de caráter abertamente golpista. As concentrações da extrema-direita também confrontavam o isolamento social como forma de combate à expansão da pandemia do coronavírus.

Nesse cenário, a esquerda partidária e social, ausente das ruas por uma correta opção em defesa da vida, assistiu as provocações e os desmandos dos bandos neofascistas do bolsonarismo. Apesar de atos minoritários e raivosos, as concentrações serviram de combustível para a escalada antidemocrática de Bolsonaro contra os opositores políticos, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Uma impressão de força combinada com as ações da rede criminosa na Internet comandada pelo chamado “gabinete do ódio”.

A entrada em cena da componente popular, com a retomada de atos públicos, foi o grande fato político da semana, polarizando com as hordas do fascismo no mesmo terreno -, nas ruas. O gesto concreto, além do simbolismo político, de imediato, anima a militância popular e de esquerda, apontando um rumo para deter a escalada do projeto golpista e neoliberal do governo da extrema-direita. 

Já durante a semana passada, trabalhadores do setor da Saúde, na linha de frente do combate ao coronavírus, protestaram nas ruas contra os descasos do governo federal e de alguns governos estaduais no enfrentamento sério da pandemia.

A lição dos atos deste domingo indica que o combate ao fascismo e pelo Fora Bolsonaro será resolvido, principalmente, na frente de batalha das ruas, com a mobilização organizada da população trabalhadora e pobre. É uma mudança de qualidade no enfrentamento para além da limitada ação institucional-parlamentar e das articulações políticas “por cima” de “frentes” sem rosto e conteúdo, sem o protagonismo popular.

Somente uma resistência ativa e de massas, impulsionada pela esquerda e os movimentos sociais, será capaz de criar uma muralha política para abater os intentos fascistas do governo bolsonarista de neoliberais e generais palacianos, abrindo uma saída democrática para a crise política, econômica, sanitária e institucional em curso.


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