Editor do Valor Econômico admite culpa das elites por eleição de Bolsonaro


 Marcelo Camargo/Agência Brasil

"O atual presidente tem muitos defeitos, mas também uma qualidade: nunca mentiu sobre suas intenções autoritárias", diz Pedro Cafardo

Por Luisa Fragão | 16/06/2020 

O editor-executivo do jornal Valor Econômico, Pedro Cafardo, publicou um texto nesta segunda-feira (15) afirmando que a “classe dominante” do Brasil foi responsável pela eleição de Jair Bolsonaro e precisa fazer um “mea culpa” por sua escolha.

Cafardo critica empresários, políticos “influentes” e jornalistas que ainda não “pediram desculpas” pela eleição de Bolsonaro e que, de acordo com ele, “fogem de suas responsabilidades”.

“Políticos influentes se omitiram na campanha eleitoral e deram um ‘dane-se’ ao país”, afirma. “Empresários só pensaram no próprio quintal e passaram a aceitar ‘qualquer um’ desde que não fosse o PT”, continua.

“Está claro que a escolha do presidente foi responsabilidade das elites brasileiras, do agronegócio à indústria, passando evidentemente pelo setor financeiro. Não há clichê esquerdista algum nessa afirmação que usa a palavra ‘elites; . Foram, sim, os mais ricos e teoricamente bem informados que elegeram ou trabalharam com mãos e mentes pela eleição do atual presidente. Precisam agora fazer mea culpa”, diz em outro trecho.

Em seguida, o editor do jornal diz que as elites sabiam que Bolsonaro adotaria uma política conservadora, hostil à China e que daria uma “banana” às causas ambientais, entre outras questões.

“O atual presidente tem muitos e graves defeitos, mas também uma qualidade: nunca mentiu sobre suas intenções autoritárias. As elites só não sabiam, mas poderiam desconfiar, que ele adotaria uma política tão desastrosa na área da saúde”, afirma, em referência às políticas contraditórias de Bolsonaro em relação à pandemia do coronavírus.


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