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São Gonçalo do Amarante - CE - Segunda-feira 19 de outubro de 2020 - Ano: XIII - Edição: 4.384

Brasil é o país que mata mais no mundo por coronavírus por culpa de Bolsonaro, diz epidemiologista


(Foto: AP Photo / Eraldo Peres)

Márcio Bittencourt, da USP, denuncia a falta de ações do governo Bolsonaro para enfrentar a pandemia

4 de julho de 2020 

Sputnik – O Brasil atingiu mais uma triste marca nesta sexta-feira (3), fechando a semana como único país no mundo a ter mais de mil mortes diárias pela COVID-19. O dado é apenas mais um resultado da gestão falha do surto, segundo um especialista ouvido pela Sputnik Brasil.

Com mais de 63 mil óbitos e 1.539.081 casos confirmados, o Brasil é o segundo no planeta em números gerais do novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos. Mas, ao contrário de lá, aqui o pico de infecções ainda não chegou, e a aceleração da doença permanece. Ao mesmo tempo, a reabertura do comércio vai sendo instaurada.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o epidemiologista do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP, Márcio Bittencourt, avaliou que são múltiplas as causas que explicam os números expressivos de infecções e mortes pela COVID-19 no país.

"O primeiro, obviamente, é o tamanho da população, então o número de [pessoas] suscetíveis no Brasil é muito maior, mas muito mais do que isso eu acho que foi a falta de medidas ou a limitação na quantidade e na intensidade de medidas não farmacológicas ou medidas comunitárias que foram implantadas no país", afirmou ele, que também é professor da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, em São Paulo.

Bittencourt explicou que, na sua avaliação, a falta de uma liderança do governo federal, conduzido pelo presidente Jair Bolsonaro, é outro elemento que não pode ser menosprezado. Como em um efeito em cascata, isso resultou em desacertos nas estratégias entre estados e municípios – estes com menos estrutura para planejamento e implementação de medidas.

"[Tudo isso] fez com que a estratégia fosse desestruturada e [fosse] muito fragmentada entre as cidades, que não conseguiram dar conta de organizar medidas de distanciamento físico adequadas e, principalmente, não conseguiram planejar estruturas para fazer medidas de isolamento social de caso, testagem de caso, medida de isolamento central, e medidas de quarentena dos contatos, fazer 'contact tracing' para ir atrás dos contatos, caçar os contatos. Acho que a falta de implementação do leque amplo de medidas comunitárias que existem disponíveis", complementou.


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