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São Gonçalo do Amarante - CE - Segunda-feira 19 de outubro de 2020 - Ano: XIII - Edição: 4.384

MOISÉS MENDES | Moro vai virar um Joaquim Barbosa

29 de julho de 2020

​O Jornal Nacional de hoje vai mostrar a Globo transtornada com a trama urdida por Dias Toffoli e Rodrigo Maia para cortar as asas de Sergio Moro. 

Toffoli defendeu pela manhã, em sessão do Conselho Nacional de Justiça, que o Congresso Nacional aprove uma lei com quarentena de oito anos para juízes que largam o Judiciário e pretendem participar de eleição. 

Como estavam bem combinadinhos, à tarde Rodrigo Maia disse que a ideia é boa e deveria valer já para 2022. 

É tudo o que o bolsonarismo quer, mesmo que a ideia talvez não tenha maioria no Congresso. 

Mas o susto está dado. Moro queria ser ministro da Justiça de Bolsonaro, conforme combinação feita ainda na campanha. 

Já no governo, também conforme o acertado e confirmado publicamente por Bolsonaro, faria a escada para ser ministro do Supremo. 

Como foi mandado embora, porque não soube dar conta das demandas do chefe na área da arapongagem, sobrou a chance de ser candidato. 

Se for podado pelo Congresso com a aprovação da quarentena, talvez só possa concorrer a presidente em 2030, dependendo das regras. 

Parece que Toffoli e Maia querem tirá-lo da política, porque em 2030 Moro será tão lembrado quanto Joaquim Barbosa. Mesmo que alguns juristas ressaltem um detalhe: a lei não poderia ser retroativa, e Moro poderia escapar. 

Sua situação hoje é dramática. Ele se encaminha para ser ex-juiz, ex-ministro da Justiça, ex-candidato a ministro do Supremo e ex-candidato a candidato à presidência da República. 

É um cenário ruim, no momento em que Augusto Aras faz tudo o que Bolsonaro espera que faça e intensifica o trabalho de abertura das caixas pretas da Lava-Jato. 

É provável, se tudo der errado para ele, que Moro fique apenas com a última opção, que sempre citou em entrevistas, de trabalhar na inciativa privada. 

Pode arranjar emprego com os empresários da Fiesp que aplaudiam sua atuação na Lava-Jato como caçador de Lula. Só não pode pagar o mico de ser empregado do véio da Havan. 

Mas há outro problema, este para Bolsonaro. Com Moro fora da disputa, a extrema direita pode não ter um competidor forte para atrapalhar, mas terá alguém com mais determinação (e motivos) para atacar Bolsonaro. 

DCM


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