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São Gonçalo do Amarante - CE - Domingo 29 de novembro de 2020 - Ano: XIII - Edição: 4.424

ALEX SOLNIK | Saída de Dallagnol antecipa fim da Lava Jato

 

(Foto: Reuters | ABr)

"Sem Moro, a Lava Jato perdeu metade do poder. Agora fica sem os 50% que restavam. Ou seja: com seu gesto, Dallagnol também antecipou o anúncio do fim da Lava Jato", avalia o jornalista Alex Solnik

1 de setembro de 2020

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

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O procurador Deltan Dallagnol percebeu o cenário desfarovável e resolveu se antecipar ao procurador Augusto Aras. Antes que este anuncie a dissolução da força tarefa e, portanto, o fim da Operação Lava Jato, provavelmente na próxima semana, ele pediu o boné. Saiu para não ser saído.

Sem Moro, a Lava Jato perdeu metade do poder. Agora fica sem os 50% que restavam. Ou seja: com seu gesto, Dallagnol também antecipou o anúncio do fim da Lava Jato.

Sem Moro e sem Dallangol não tem Lava Jato.

Malgrado as desgraças em série que a Lava Jato produziu para a indústria e para a democracia brasileiras, já vai tarde, portanto, é impossível deixar de enxergar um movimento político pró governo no cerco de Aras ao feudo Moro-Dallagnol.

Certamente Aras não foi movido por sentimento de lealdade ao estado de direito que levava surras da Lava Jato e sim por lealdade ao presidente da República, o que, convenhamos não é papel de um Procurador Geral da República.

Acabar com a Lava Jato era o sonho de consumo de líderes do Centrão que foram ou são alvos da operação. Ficarão eternamente gratos a Bolsonaro.

Como teriam ficado gratos a Dilma. E não a teriam derrubado.

Brasil 247

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