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São Gonçalo do Amarante - CE - Terça-feira 01 Dezembro de 2020 - Ano: XIII - Edição: 4.426

Bolsonaro destrói o Itamaraty e isola o Brasil no mundo, diz O Globo

(Foto: Divulgação)

Jornal dos Marinho, que apoiou o golpe de 2016, agora condena a política externa de humilhação que vem sendo conduzida por Ernesto Araújo, com sua submissão explícita aos interesses de Donald Trump

15 de setembro de 2020

O jornal O Globo, que tem sua responsabilidade na ascensão do projeto neofascista no Brasil, condena, em editorial publicado nesta terça-feira, a política externa aviltante que vem sendo conduzida por Ernesto Araújo, no Itamaraty. "O governo Bolsonaro avança no projeto de demolição da política tradicional do Itamaraty: não subordinação aos Estados Unidos e equidistância diplomática. Foi decisivo o apoio brasileiro para que, pela primeira vez em 60 anos, um americano assuma a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). É, na gestão Bolsonaro, o ápice da subserviência ao interesse americano", aponta o texto.

"A aproximação às cegas de parceiros internacionais, estimulada à base de afinidades pessoais e ideológicas, não costuma dar bons resultados. Bolsonaro, filhos e seu grupo foram evidentemente logrados por Trump no negacionismo da Covid-19, como prova a entrevista concedida em março pelo presidente americano ao jornalista Bob Woodward. Nela, Trump diz que minimizava a doença para não causar pânico. Bolsonaro foi na conversa e ainda terminou catequizado pela lorota da cloroquina", lembra o texto. "Entre os efeitos colaterais da subserviência ao ultraconservadorismo trumpista, está a classificação às pressas, pelo Itamaraty, de telegramas enviados a diplomatas na ONU com instruções para trabalharem pela proibição do aborto e contra propostas não discriminatórias de mulheres e meninas.”

"Cada uma dessas ações fere preceitos constitucionais, entendimentos do STF e a tradição da diplomacia brasileira. O governo vai assim executando seu projeto obscurantista e se afastando do mundo moderno, democrático, progressista. Quer Trump vença ou não em novembro, o atrelamento automático aos interesses americanos é uma armadilha para o Brasil", finaliza o editorialista.

Brasil 247

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