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São Gonçalo do Amarante - CE - Quinta-feira 29 de outubro de 2020 - Ano: XIII - Edição: 4.394

Um juiz “terrivelmente bolsonarista”?


Por Fernando Brito | 05/10/2020

Jair Bolsonaro irritou-se com as críticas de seus próprios fanáticos e foi às redes sociais, a pretexto de “defender” seu indicado para o Supremo Tribunal Federal, acabou por gerar um imenso mal-estar para Kassio Nunes Marques.

A dizer que o desembargador está “100% alinhado” com ele, Jair Bolsonaro acaba com qualquer possibilidade de que Nunes Marques possa se proteger com falas evasivas durante a sabatina que, inevitavelmente terá de se submeter no Senado, para ser aprovado.

Até agora, o passado do atual desembargador como magistrado e, antes, como advogado, não despertava aversão entre os opositores de Bolsonaro. Só mesmo o reduzido grupo de alucinados da ultradireita queriam-no na fogueira por ter sido indicado para um tribunal regional por Dilma Rousseff o que, convenhamos, não era obstáculo maior.

Repostas suficientemente genéricas, ainda mais com a saída de dizer que, como terá de se manifestar sobre elas se for confirmado no Supremo era um caminho fácil e sem sobressaltos.

Agora, porém, vai ter de se manifestar sem tanta prudente imprecisão. O presidente da República, fazendo o que nenhum magistrado, por conta da lei que os rege, tem o direito de fazer, antecipando seus votos tanto na questão do aborto quanto na da posse e porte de armas, já que Bolsonaro disse que era um adepto delas. Mas estes dois temas não muito menos que “100%”.

O ex-capitão sentiu o golpe das acusações de traição que surgiram ontem, com os fascistoides levantando, no Twitter, a hashtag #BolsonaroTraidor e passou dos limites da prudência em sua manifestação.

Vai colocar Marques Nunes na “saia-justa” de provar-se “100% bolsonarista” e isso vai incluir o apoio do Planalto aos grupos que atacaram, moral e fisicamente, o próprio STF.

É verdade que nunca valeu muito o que um indicado ao Supremo antes de sentar-se na cadeira e que, nestes tempos de relativismo moral, ética já não seja das virtudes mais apreciadas, mas o que fez Bolsonaro foi obrigar Nunes Marque a entregar, de público, a alma que lhe foi comprada com o cargo.

Tijolaço

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