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São Gonçalo do Amarante - CE - Sexta-feira 04 Dezembro de 2020 - Ano: XIII - Edição: 4.429

MOISÉS MENDES | Bolsonaro está na fila



8 de Novembro de 2020

A última vitória de Bolsonaro não aconteceu no território da política, mas do futebol. Foi a vitória do seu adorado Palmeiras contra o Bragantino. Na política, Bolsonaro não ganha quase nada, além do apoio comprado do centrão, desde que se elegeu.

Bolsonaro tentou, durante meses, ganhar de presente um golpe dos militares, para que pudesse governar como um imperador de Rio das Pedras.

Não conseguiu. Blefou, atraiu seus generais para a armadilha de participar dos atos fascistas de Sara Winter na Esplanada dos Ministérios, mas teve de recuar.

Bolsonaro ameaçou com o golpe para assim amedrontar o Supremo. O Supremo reagiu e até Dias Toffoli e Luiz Fux mandaram Bolsonaro e os generais se aquietarem.

Bolsonaro tentou aparelhar os organismos de inteligência e até a Polícia Federal, com a esperada ajuda de Sergio Moro, mas o juiz amarelou e caiu fora.

Bolsonaro perdeu, mesmo que aparentemente tenha vencido, e está sob investigação no STF, onde também investigam seus filhos.

Bolsonaro fez apostas externas, como pretendia ser líder latino-americano, e perdeu na Argentina, no Uruguai, na Bolívia, no Chile, na Venezuela (com as muitas tentativas de golpe) e agora nos Estados Unidos. Perdeu todas.

Nem mesmo no Uruguai, onde o presidente é de direita, a vitória do blanco Luis Alberto Lacalle Pou representou a ascensão de um aliado de Bolsonaro.

Lacalle Pou nunca quis conversa com Bolsonaro. O preferido do sujeito na eleição no Uruguai era o general extremista Guido Manini Rios, que teve 11% dos votos.

Parceiros da extrema direita de Bolsonaro fracassam na Itália, em Israel, na Espanha. O fascismo vai sendo derrotado em toda parte, ou por eleições ou por ações políticas que constrangem e encurralam o extremismo.

No Chile, os estudantes conseguiram finalmente sepultar a Constituição de Pinochet e provocar a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Na América Latina, a extrema direita com as unhas de fora só existe nas mãos peludas do Brasil. Só aqui há um tipo com o perfil de Bolsonaro, com o apoio de pelo menos um terço da população, enquanto a pandemia continua matando e a economia definha.

Bolsonaro pode ser, daqui a pouco, um dos últimos fenômenos fascistas mundiais com suporte do voto. E o voto acabou por derrotar, quando muitos consideravam impossível, a direita na Argentina, na Bolívia e agora nos Estados Unidos.

Bolsonaro está na fila. Não há como imaginar que possa sobreviver no governo além do primeiro mandato. É improvável, num mundo que abala os alicerces da direita, que Bolsonaro sobreviva além de 2022.

O fim de Trump é o começo do fim de Bolsonaro e dos que dão lastro ao seu governo. Bolsonaro só não cai antes de 2022 porque tem o suporte dos militares. Mas até quando?

Blog do Moisés Mendes

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