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São Gonçalo do Amarante - CE - Domingo 11 de Abril de 2021 - Ano: XIII - Edição: 4.557

LEONARDO ATTUCH | A culpa é da Ford ou da ausência de governo?

(Foto: Reuters)

“Nenhuma empresa investe num país que está deliberadamente destruindo seu mercado interno”, diz o jornalista Leonardo Attuch, editor do 247. “E não adianta culpar o custo do trabalho no Brasil, porque Henry Ford defendia trabalhadores bem-pagos para que todos pudessem comprar seus automóveis”

12 de janeiro de 2021

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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Depois de 103 anos, a Ford decidiu fechar todas as suas fábricas no Brasil. Para algumas vozes da direita, como a do general Mourão, a empresa é a vilã da história, porque abandona o País depois de muitos anos lucrando no Brasil (especialmente durante aquela “década” de ouro). Para setores da esquerda, a montadora também tem culpa no cartório, porque só investiu no Brasil enquanto conseguiu extrair incentivos fiscais.

Comecemos por Mourão, cuja fala revela total desconhecimento sobre o que é a atividade empresarial. Nenhuma empresa, no Brasil e no mundo, vive das glórias do passado. Só se investe ou se mantém algo em atividade, mesmo quando há prejuízos transitórios, quando se confia no dia de amanhã. Se a Ford está saindo do Brasil depois de 103 anos, isso significa que a empresa não enxerga futuro algum no País. É esta uma visão acertada ou equivocada? A julgar pela “ciência” econômica de um país cuja elite que promove golpes de estado para reduzir salários e seu próprio mercado interno, faz todo o sentido ir embora. Basta lembrar da lógica de Henry Ford, que defendia trabalhadores bem-pagos para que todos pudessem comprar seus automóveis. Se no Brasil as reformas trabalhistas visam empobrecer trabalhadores e a política econômica destrói o mercado interno, qual é a lógica de permanecer nesta terra arrasada?

Passemos agora ao discurso de setores da esquerda. Em vez de atacar a ausência de governo federal e a destruição econômica produzida por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, muitos estão preferindo fazer um acerto de contas em relação ao passado. O motivo é o fato de o ex-governador gaúcho Olívio Dutra, do PT, não ter aceito a faca no pescoço da Ford, que acabou investindo na Bahia - o que acabou custando a reeleição de Dutra, em 2002, quando ele foi derrotado por Germano Rigotto, do MDB, após intensa campanha midiática.

Brasil 247

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