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São Gonçalo do Amarante - CE - Sábado 25 de Setembro de 2021 - Ano: XIII - Edição: 4.723

Diplomacia de botequim. Não, o problema não era só Ernesto Araújo, é todo o governo

Por Fernando Brito | 27/04/2021

Não, o problema não era só Ernesto Araújo.

O problema está em todo o governo que, a exemplo do chefe, mantém um comportamento daquela turma de “coroas” de porta de botequim e trata de tudo com aquele discurso de uem “se garante” e tem um opinião desaforada sobre qualquer coisa.

Ontem, por exemplo, a Anvisa recusou (o que é direito dela e não teria sentido dizer se está certa ou errada) as vacinas Sputnik, aprovada em meia centena de países como se tratassem de ampolas de água suja infectadas. Poderia ter dito que “os lotes recebidos não se prestavam para análise ” mas preferiu, sem comunicação prévia com a farmacêutica russa, expor uma grave desqualificação do imunizante, muito além do necessário para recusá-lo.

E os russos reagiram, como também era seu direito, dizendo que não querem mais vender ao Brasil e ainda culparam a informação (verídica, aliás) de que a diplomacia norte-americana, sob Trump, havia feito pressão sobre nós para não deixarmos entrar a Sputnik.

Hoje, foi o flagrante da grosseria fanática de Paulo Guedes sendo gravado dizendo que “os chineses inventaram o vírus” e que sua vacina – tudo o que temos por aqui, seja a Coronavac, seja a Astrazêneca cujo ingrediente ativo vem de lá – é muito inferior à dos norte-americanos que, se chegar, chega em dose homeopática, apenas um milhão, daqui a dias.

Alguém vai achar estranho que atrasem as entregas da China, a partir de mais essa? E nem poderemos falar nada, porque os chineses estão sendo vacinados em massa – 5 milhões de pessoas por dia.

Nossa sorte é o impassível pragmatismo comercial dos chineses, porque somos cada vez mais dependentes das exportações e importações daquele país. Mas não se confunda pragmatismo com indiferença. E nem que vão se fiar na explicação posterior de Guedes de que usou “uma imagem infeliz”.

Estamos forçando a sorte e conseguimos, neste momento, estar mal com as três maiores potências mundiais: EUA, China e Rússia, além de Alemanha, França…

Será que ainda vamos ter saudades de Ernesto Araújo?

Tijolaço

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