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São Gonçalo do Amarante - CE - Quinta-feira 23 de Setembro de 2021 - Ano: XIII - Edição: 4.721

Sérgio Moro fez parecer positivo para ex-sócio da Vale e depois foi trabalhar para concorrente

(Foto: Reuters)

Antes de oficializar a contratação na consultoria Alvarez & Marsal, Sérgio Moro telefonou para a defesa de Benjamin Steinmetz, ex-sócio da Vale em um projeto, e fez parecer positivo. A A&M é administradora judicial da BSGR, empresa do israelense que firmou joint venture com a Vale. Com base no parecer, o empresário foi ao MP-RJ contra a mineradora brasileira

1 de abril de 2021

Três semanas antes de oficializar sua contratação no fim de novembro passado como sócio-diretor da consultoria Alvarez & Marsal (EUA), administradora da recuperação judicial da Odebrecht, o ex-juiz Sérgio Moro telefonou para advogados que representam no Brasil o bilionário israelense Benjamin Steinmetz, ex-sócio da Vale no projeto da mina de Simandou, na Guiné, e fez um parecer positivo.

De acordo com informações do jornal Valor Econômico, em setembro do ano passado, a Alvarez & Marsal passou a ser administradora judicial da BSGR, empresa de Steinmetz que firmou joint venture com a Vale em 2010 para explorar minério de ferro na África. O projeto foi malsucedido.

Com base no parecer de Moro, o empresário israelense apresentou, no fim do ano passado, uma notícia-crime ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), para investigar possíveis violações da Vale, seus administradores e executivos sobre suposta omissão de informações ao mercado de capitais.

Moro foi contratado para atuar na área de Disputas e Investigações da Alvarez & Marsal, dois meses depois de a A&M ter sido designada para atuar na recuperação da BSGR.

Segundo o advogado Mauro Menezes, ex-presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, "temos uma situação de conflito, já que a Vale é credora da BSGR na recuperação judicial de Guernsey". "Como a A&M presta serviços à Vale, existe um interesse poderoso de uma das clientes da consultoria em relação à recuperação de créditos de uma empresa que está sob a sua administração. O conflito é da A&M", disse.

"O Moro se insere nesta história em uma situação delicada. Já que se pronunciou, por meio de parecer, em conflito que envolve a Vale e a BSGR. As duas são clientes da Alvarez & Marsal, consultoria da qual Moro acabou por se tornar sócio-diretor", acrescentou.

Steinmetz está envolvido em disputa de US$ 2,5 bilhões com a Vale S.A, que é consequência da dissolução de uma parceria firmada em 2010 pela mineradora com a BSG Resources (BSGR), de Steinmetz. Com o fracasso do projeto, em 2014, a parceria se converteu em litígio que se desdobrou por tribunais mundo afora.

Ao Judiciário de Guernsey, a BSGR requereu a recuperação judicial porque a Balda Foundation, proprietária integral da BSGR, tem sede no paraíso fiscal localizado no Canal da Mancha. O empresário israelense optou pela recuperação judicial depois que a Vale propôs e venceu, em setembro de 2019, uma arbitragem contra ele na Corte Internacional de Arbitragem de Londres.

Brasil 247

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