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São Gonçalo do Amarante - CE - Sexta-feira 17 de Setembro de 2021 - Ano: XIII - Edição: 4.715

EMIR SADER | O Brasil contra Bolsonaro

Manifestação contra Bolsonaro em Brasília (24J) (Foto: Ricardo Stuckert)

Sociólogo Emir Sader aponta que Jair Bolsonaro tem com ele “setores determinados”, como militares e o grande empresariado, mas que, “em compensação, tem contra si a grande maioria da população”, como mostraram os atos deste sábado, 24 de julho, em centenas de cidades no Brasil e no mundo

26 de julho de 2021

Emir Sader é colunista do 247, e um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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As novas manifestações contra Jair Bolsonaro, em centenas de cidades, reunindo centenas de milhares de pessoas, confirmam que o Brasil está unido contra ele. O isolamento do governo é cada vez maior, Bolsonaro conta com um número cada vez menor de adeptos.

Bolsonaro conta com setores determinados: com o apoio de militares, para os quais o discurso absurdo é o de que  haveria um complô para levar Lula à presidência e que o seu papel seria evitar isso. Para o grande empresariado – tanto os exportadores de soja, como os banqueiros privados, como grandes comerciantes, para os quais oferece a desarticulação do Estado e a privatização de patrimônio público. Para os que se enriquecem com a exportação de produtos primários, com o mercado de luxo e com as privatizações.

Para os policiais, com que ele conta como força repressiva e poderia participar de alguma aventura golpista, que recebe, assim como os militares, grande quantidade de privilégios. Setores já minoritários dos evangélicos.

Em compensação, Bolsonaro tem contra si a grande maioria da população. Quem vive do seu trabalho, perdeu empregos, trabalha sem carteira de trabalho, com total precariedade, sem saber se vai ter ganhos no mês seguinte, para comer, para pagar aluguel, para comprar remédios, para pagar o transporte. São a grande maioria dos brasileiros, que rejeitam fortemente o Bolsonaro, são vítimas privilegiadas das políticas neoliberais do Paulo Guedes.

A juventude, que vê seu futuro bloqueado por uma política que ataca as universidades, as escolas públicas, corta os recursos, agride os professores, faz diminuir drasticamente os alunos inscritos nas escolas públicas e nos programas de democratização da educação. Eles sentem como se trata de um governo que age contra a ciência, contra o conhecimento.

As mulheres são as que mais rejeitam o Bolsonaro, que as ataca sistematicamente, que atenta contra os direitos conquistados por elas. As mulheres, que se dão conta como o estilo, o discurso e o comportamento do Bolsonaro são de um machismo exacerbado.

Os negros são violentamente discriminados e reprimidos pelo governo de Bolsonaro, se dao conta dos enormes retrocessos sobre seus direitos nesse governo. Os personagens, os símbolos dos movimentos negros são degradados e discriminados inclusive por quem deveria no governo, cuidar deles.

Somados, os trabalhadores, as mulheres os jovens, os negros, constituem a maioria esmagadora da populacao, que rejeitam frontalmente o Bolsonaro.

Além disso, os professores, os estudantes, todos os que valorizam a educação, são odiados e odeiam o Bolsonaro. Todos os que valorizam os serviços públicos, rejeitam brutalmente o Bolsonaro, que só tira recursos e ataca os serviços públicos.

Brasil 247

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