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São Gonçalo do Amarante - CE - Domingo 26 de Setembro de 2021 - Ano: XIII - Edição: 4.724

Jair Bolsonaro gera "teste de estresse" para instituições ao mentir criminosamente em live sobre fraude eleitoral

(Foto: Ricardo Stuckert)

Novos crimes de responsabilidade cometidos por Jair Bolsonaro colocam instituições diante do dilema de punir ou não um criminoso

31 de julho de 2021

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro provoca um "teste de estresse" para as instituições democráticas do Brasil com suas acusações sem provas contra o sistema eleitoral brasileiro e deve levar essa narrativa até a eleição presidencial do ano que vem, na avaliação de analistas políticos ouvidos pela Reuters nesta sexta-feira.

Ao mesmo tempo, a insistência do presidente neste discurso de fraude mostra que tanto Bolsonaro quanto o governo que lidera estão acuados, apostando em uma retórica, como a adotada em transmissão nas redes sociais na noite de quinta, que na prática antecipa um eventual discurso de derrota eleitoral.

"De novo ele (Bolsonaro) antecipa esse processo eleitoral, fala que é possível haver o não reconhecimento do processo eleitoral, que é o maior desafio que uma democracia pode enfrentar", disse à Reuters Leonardo Barreto, cientista político e diretor da Vector Análise.

"Ele gera um teste de estresse institucional que vai até o processo eleitoral e tem, no pior cenário, o não reconhecimento de um resultado por um candidato que possa ter 30% dos votos. Acho isso um evento muito relevante para a estabilidade do processo político brasileiro", acrescentou.

Apesar de prometer que apresentaria provas de fraudes no sistema eletrônico de votação na transmissão que fez na quinta, Bolsonaro não só não as apresentou --afirmando com todas as letras que não tinha provas, mas "indícios"-- como também recorreu a alegações infundadas de irregularidades que já circularam no passado e já foram rechaçadas.

Ele também aproveitou para fazer uma série de ilações contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, ao mencionar que contribuiu para a retomada dos direitos políticos pelo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e teria interesse em uma vitória do petista, em mais um ataque contra o Judiciário, que se tornou uma constante.

Na avaliação dos analistas ouvidos pela Reuters, Bolsonaro volta suas baterias contra o Supremo Tribunal Federal (STF) num momento em que conta com uma blindagem no Congresso Nacional, após apoiar a eleição de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara dos Deputados e de colocar o líder do centrão, senador Ciro Nogueira (PP-PI), no comando da Casa Civil.

Parece estar blindado também no front do Ministério Público, já tendo encaminhado ao Senado a indicação para recondução do procurador-geral da República, Augusto Aras, que tem se posicionado a favor do presidente, para um novo mandato de dois anos.

"Hoje, o melhor custo para ele é atacar o Supremo", disse o professor e cientista político do Insper Carlos Melo. "Onde ele não tem blindagem? No Supremo. O Supremo não pede impeachment, o Supremo não abre inquérito, o Supremo não tem instrumentos para reagir contra o presidente da República como a Câmara tem e como a PGR tem... O Supremo contém a ação dos outros Poderes, mas ele não consegue agir contra", explicou.

Brasil 247

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