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São Gonçalo do Amarante - CE - Sexta-feira 17 de Setembro de 2021 - Ano: XIII - Edição: 4.715

RIBAMAR FONSECA | O cerco a Bolsonaro está se fechando

(Foto: Felipe Campos Mello)

Para Ribamar Fonseca, "Bolsonaro e bolsonaristas ficaram enlouquecidos diante da possibilidade, a cada dia mais real, de ser defenestrado do Palácio do Planalto antes das eleições do próximo ano. Afinal, o cerco está se fechando."

11 de julho de 2021

Os movimentos populares, as manifestações de rua, as pesquisas  e a CPI da Covid, além das suspeitas de corrupção no governo e denúncias de rachadinha, estão levando  Bolsonaro ao desespero, deixando-o sem dormir  e agravando o seu conhecido desequilíbrio. Ele não tem mais dúvidas de que não conseguirá reeleger-se em 2022 e, por isso, prepara o terreno para o tudo ou  nada, o que inclui uma tentativa de golpe.

Primeiro, contrariando todo mundo, insiste no retorno do voto impresso, sob a alegação de que o voto eletrônico é fraudável, ao mesmo tempo em que faz ameaças de que não aceitará o resultado do pleito, o que significa que já admite a derrota. O seu desespero é tamanho que chegou até a ameaçar cancelar as eleições presidenciais do próximo ano, como se tivesse poderes para tanto. E ainda tem coragem de se dizer defensor da democracia.

Acuado, diante das investigações da CPI da Covid, Bolsonaro quer aproveitar o episódio do atrito entre o Congresso Nacional e as Forças Armadas, caracterizado pela nota do Ministério da Defesa repudiando declaração do senador Omar Aziz, presidente da CPI, para conquistar o apoio dos militares para uma possível ruptura da Constituição. Já chegou a promover uma reunião-almoço no Palacio do Planalto com os comandantes militares para um exame das manifestações de rua contra ele, ressuscitando a velha desculpa do  comunismo como motivação para um ato de força.

Como tem muita gente dentro e fora dos quartéis que ainda acredita que  comunista come criancinhas,  na visão deles uma ameaça ao nosso país, Bolsonaro provavelmente imagina que usando esse mote anacrônico poderá sensibilizar militares também anacrônicos para a sua causa.

Felizmente, porém, os tempos são outros, os quartéís foram renovados  pela nova geração de militares e esse pensamento jurássico já não predomina entre eles. Na verdade, a nota oficial do Ministério da Defesa, se fosse submetida aos quartéis, não teria a aprovação da maioria que, certamente, não aprova o comportamento de alguns colegas de farda que ocupam cargos civis no governo, especialmente no Ministério da Saúde.

A nota, provavelmente inspirada por Bolsonaro, torceu a declaração do senador Omar Aziz que, ao contrário do que disse, não agrediu as Forças Armadas, apenas condenou a atitude de militares envolvidos nas negociações para a compra de vacinas. A nota, portanto, parece querer blindar os militares acusados de participação na negociata de vacinas no Ministério da Saúde, o que imita atitude do próprio Bolsonaro que, ao invés de mandar investigar as pessoas denunciadas por irregularidades, mandou investigar os denunciantes. Toda categoria profissional tem bons e maus profissionais, o que não deve ser diferente com os  militares, que são seres humanos como qualquer outro e, portanto, sujeitos aos mesmos erros, aos mesmos vícios e às  mesmas tentações.

Em vez de defender maus militares, os comandantes  deveriam  separar o joio do trigo, preservando a instituição e, consequentemente,   o respeito e  a confiança que sempre tiveram do povo brasileiro.

O fato é que, embora nomeados por Bolsonaro, os comandantes militares não deveriam dar suporte às suas loucuras, até porque eles devem obediência e respeito  à Constituição, já que são agentes do Estado, não do governo, ou não estão compromissados com a democracia, que dizem defender.

Brasil 247

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