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São Gonçalo do Amarante - CE - Domingo 26 de Setembro de 2021 - Ano: XIII - Edição: 4.724

Governo Bolsonaro nos envergonha ao entregar os Correios, quando empresas da França e Alemanha se tornam potências globais da logística

29 de Agosto de 2021

Um alemão ou francês que visse a campanha publicitária feita pelo governo Bolsonaro dizendo que a privatização vai deixar os Correios ainda melhores certamente ficaria envergonhado.

É uma forma de indiretamente desvalorizar a estatal, num momento em que a capacidade de entregar encomendas se torna lucrativa e estratégica, com a explosão planetária do e-commerce.

A mídia, obviamente, apoia qualquer coisa que seja “privatização”.

Um recente texto do G1, da Globo, registrou: “A privatização dos Correios é uma das prioridades do Ministério da Economia. A estatal acumulou prejuízo de R$ 3,943 bilhões entre 2013 e 2016, mas desde 2017 vem registrando resultados positivos nos balanços anuais”.

Pouca vergonha jornalística!

O G1 registrou detalhadamente os prejuízos entre 2013 e 2016, mas não falou dos resultados positivos de 2017, 2018, 2019 e 2020. No ano passado, o lucro foi de R$ 1,5 bilhão. Este ano, 2021, deve ser ainda maior.

Se sobrasse um pouco de vergonha ao G1, ele faria o balanço completo, pois os lucros mais recentes dos Correios estão ligados, obviamente, à multiplicação das vendas pela internet, ao e-commerce.

Os Correios terão lucro explosivo nos próximos anos.

O preço das encomendas enviadas pela estatal brasileira equivale a 2/3 do preço do concorrente mais próximo.

Por que?

Os Correios brasileiros são a única empresa que cobre 5.570 municípios do país.

Em 5.246 deles a operação é deficitária, o que é mais do que compensado pelo lucro nos outros 324 municípios.

Afinal, segundo a Constituição de 1988, os Correios são um serviço público, não destinado ao lucro.

Enquanto o Brasil demole esta instituição, essencial para facilitar o comércio e, portanto, bombar a economia, a França e a Alemanha investem para tornar os seus próprios Correios empresas multinacionais.

São empresas estatais, ambas com cerca de meio milhão de funcionários. Que oferecem serviços financeiros e de transporte internacional de encomendas.

No Brasil a estatal francesa responde pelo nome de Jadlog.

E a estatal alemã é a DHL, Danzas e afiliadas.

Em outras palavras, alemães e franceses descobriram que podem faturar os tubos transferindo compras do e-commerce entre continentes.

Mas, no Brasil, o governo Bolsonaro quer entregar a galinha dos ovos de ouro para uma empresa privada.

Que, ao extinguir a agência, por exemplo, de São João do Piauí, vai tornar mais caras as encomendas para a progressista cidade do interior do Piauí.

Vai trabalhar contra o comércio. E contra as pessoas que compram pela internet. Como diria o saudoso Paulo Henrique Amorim, viva o Brazil!

A privatização dos Correios já passou pelos 300 picaretas da Câmara. Agora, é preciso desejar que reste alguma sanidade ao Senado.

Caso contrário, DHL, Jadlog e a norte-americana Federal Express poderão deitar e rolar com tarifas mais altas.

Muito embora nosso entrevistado, Marcos César Alves Silva, vice-presidente da Associação dos Profissionais dos Correios, diga que empresas como as lojas Marisa, a Ali Baba e a Amazon — grandes usuários dos Correios — não estejam interessados na privatização.

Todos eles poderiam montar suas próprias transportadoras e sistemas de entrega.

Mas, usam os Correios.

O que mais os preocupa estas empresas, apresentadas pelo governo como candidatas à privatização, é que os Correios caiam na mão de um concorrente — a norte-americana Amazon, por exemplo — o que em tese poderia atrasar as entregas de todas as demais empresas do varejo.

Um verdadeiro desastre!

Só num governo capacho e desastroso como o de Jair Bolsonaro a pretensão é de entregar uma empresa lucrativa que pode bagunçar a livre disputa entre as grandes empresas varejistas!

VIOMUNDO

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