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São Gonçalo do Amarante - CE - Quarta-feira 27 de Outubro de 2021 - Ano: XIV - Edição: 4.757

Na ONU, Bolsonaro discursou para escória de extrema-direita | JEFERSON MIOLA

(Foto: Alan Santos/PR)

"Como sempre, recitou mentiras, disparates, delírios e reafirmou sua cosmovisão fascista e reacionária", analisa Jeferson Miola

21 de setembro de 2021

Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

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Jair Bolsonaro discursa na abertura do Debate Geral da 76a Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas

No discurso na ONU Bolsonaro foi Bolsonaro. Aliás, foi transparentemente Bolsonaro.

Como sempre, recitou mentiras, disparates, delírios e reafirmou sua cosmovisão fascista e reacionária. Bolsonaro se postou como se estivesse conversando com apoiadores no chiqueirinho do Alvorada.

No conteúdo do discurso, ele simplesmente ignorou a enorme audiência planetária que costuma acompanhar o principal evento anual das Nações Unidas – que, decerto, ficou assombrada com as barbaridades que ouviu.

Bolsonaro não se referiu aos temas centrais da agenda internacional da atualidade, apenas desfilou questões doutrinárias e ideológicas que conformam o ideário da extrema-direita: “família tradicional”, anticomunismo, fundamentalismo religioso, negacionismo e ataques à democracia.

O público-alvo do seu discurso foi a escória de extrema-direita – a nacional e a internacional – abduzida por valores anti-civilizatórios e regressivos.

A vergonha e a repulsa ficam por conta das pessoas que possuem o mínimo senso do ridículo. Estes sentimentos, contudo, não sensibilizam a matilha bolsonarista, para quem as estupidezes do líder/fuhrer ecoam como música.

Há muito de metódico e/ou deliberado nos atos burlescos do Bolsonaro. A cena dele com a comitiva de bárbaros comendo pizza na rua porque impedidos de ingressar em restaurantes sem estarem vacinados, valeu muitos pontos na popularidade dele junto ao eleitorado cativo. A falsa simplicidade e o simulacro de humildade fazem parte de uma eficiente estratégia comunicativa.

Enquanto o senso comum considera Bolsonaro um pária, seus adoradores entram em êxtase com o “mito” heróico que move moinhos contra toda a engrenagem do “sistema opressor”. Um genuíno “anti-sistema”, na visão deles.

Nada em Bolsonaro surpreende. Quando se imagina que já alcançou o fundo do poço, ele surge com uma pá em punhos para cavar ainda mais fundo o buraco do precipício. Com ele, sempre pode piorar.

Brasil 247

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