2

São Gonçalo do Amarante - CE - sEGUNDA-FEIRA 29 de novembro de 2021 - Ano: XIV - Edição: 4.790

Juros do BC podem enterrar reeleição de Bolsonaro | PAULO MOREIRA LEITE

 (Foto: ABR)

No Brasil e nos EUA, juros altos são um caminho conhecido para a derrota dos governantes, escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

30 de outubro de 2021

Paulo Moreira Leite é colunista do 247, ocupou postos executivos na VEJA e na Época, foi correspondente na França e nos EUA

...

Ao anunciar um aumento de 1,5 pontos na taxa básica de juros, o Banco Central mergulhou o Brasil num oceano de incertezas. Além de quebrar a economia e  impor sacrifícios pesados a maioria da população, especialmente os mais pobres, uma medida dessa natureza costuma punir os próprios governantes.

Com o aumento, a taxa básica de juros fica em 7,5% -- patamar altíssimo num país com desemprego nas alturas e um padrão social pavoroso.

A derrota  de José Serra para Lula, em 2002, que deu início a um ciclo de quatro mandatos consecutivos de governos do Partido dos Trabalhadores no Planalto, foi  pavimentada por um conjunto de vários fatores combinados.

Um dos mais importantes foi uma taxa de  juros de 22% no índice Selic -- a mais alta de nossa história --  que estrangulou a atividade econômica, produzindo um desastre que funcionou como o golpe final contra a herança do PSDB. Num esforço máximo de submissão da política econômica aos projetos de austeridade do  império, FHC entregou o país ao monitoramento do FMI. 

Dez anos antes, uma experiência semelhante ocorreu nos Estados Unidos. A vitória do democrata Bill Clinton sobre o republicano George Bush, pai, foi produto numa virada histórica, explicada por uma frase que entrou para os anais do marketing político: "é a economia, estúpido!", como dizia o publicitário James Carville, titular da campanha democrata.

O curioso é que  ao longo do mandato Bush chegou a ter a popularidade em 90% de aprovação,  patamar vitaminado por operações militares no exterior, como a vitória na primeira Guerra do Golfo, no Kuwait.

Com a economia submetida a taxa de juros do  Federal Reserve, referência de banco central independente em todo o planeta, os negocios permaneciam mornos e a taxa de emprego não saía do chão. Os juros chegaram a 10% no início do mandato, caíram para 3% no final, quatro anos depois, com várias oscilações no caminho,  e nem assim a economia se aprumou. 

O ambiente econômico tornou-se tão ruim que, num episódio inédito, o bilionário Ross Perot chegou a lançar uma candidatura independente à Casa Branca, alcançando 18% dos votos -- marca inédita para uma candidatura à margem dos partidos tradicionais.

Brasil 247

0 comments:

[ Deixe-nos seu Comentário ]

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor