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São Gonçalo do Amarante - CE - Segunda-feira 17 de Janeiro de 2022 - Ano: XIV - Edição: 4.839

Jornalista Miriam Leitão diz que crise da Receita é parte do "projeto de destruição e ocupação da máquina" do clã Bolsonaro

Segundo a jornalista, “Bolsonaro é criminoso confesso em muitos casos de obstrução do trabalho dos servidores"

26 de dezembro de 2021

A jornalista Miriam Leitão avalia que a crise na Receita Federal, que resultou na entrega de cargos por centenas de auditores,  é fruto de “um ataque sistemático ao Estado” feito pelo governo Jair Bolsonaro, por meio de um “arsenal conhecido”. “Corta cabeças de lideranças com alguma autonomia, aparelha e, depois, seca recursos. Assim ele fez com Ibama, ICMbio, IPHAN, Funai, Fundação Palmares, Ministério da Educação, Ministério da Saúde”, diz ela em sua coluna no jornal O Globo.

“Na Receita, o governo cortou dinheiro da manutenção da máquina para ter recursos para aumentar salários da Polícia Federal”, destaca. “Além disso, 44 integrantes do CARF, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pediram exoneração”, observa. “A Receita permanece ainda sem corregedor. E isso é importante para entender a crise.

"O antigo secretário José Tostes Neto escolheu um candidato para a corregedoria, que foi aprovado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, mas foi vetado pela Casa Civil. Já é humilhante ter que enviar à Casa Civil o nome de alguém do segundo escalão do Ministério. Subserviente como é, Paulo Guedes aceitou. Pior. Demitiu o secretário com uma frase esclarecedora: ‘O presidente quer o seu cargo’”, afirma ela no texto.

A jornalista destaca que "o cotidiano desse governo tem como objetivo capturar os órgãos de Estado para que eles funcionem em torno dos objetivos escusos da família do presidente e dos seus amigos”.

Ainda segundo ela, “Bolsonaro é criminoso confesso em muitos casos de obstrução do trabalho dos servidores. Fez isso no IPHAN e, como ele mesmo informou, para atender ao interesse empresarial de um amigo dele, Luciano Hang. Isso é crime”. “O aumento na PF é a forma de comprar lealdade dos agentes e delegados depois de o órgão ter sofrido a mais violenta intervenção”, ressalta.

 “Tudo é parte do mesmo projeto de destruição e ocupação da máquina. Da terra arrasada, o Brasil precisará se reerguer”, finaliza.

Brasil 247

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