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São Gonçalo do Amarante - CE - Sábado 21 de Maio de 2022 - Ano: XIV - Edição: 4.962

Depoimento de Jair Bolsonaro a Polícia Federal é tragicomédia de erros

Por Fernando Brito | 28 de janeiro de 2022

Tem hora e endereço marcados.

14 horas, na na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, localizada no SAIS, quadra 7, lote 23, Setor Policial Sul.

Vai ser um espetáculo para as câmeras de televisão e olhe lá se não teremos um grupo de agitadores para desagravar o primeiro presidente da República intimado para depor em uma unidade policial num inquérito onde ele mesmo é o alvo do possível crime. Ele havia prestado declarações sobre o caso Moro, mas recebendo o delegado no Planalto.

É o ápice de uma comédia de erros que começou numa das lives presidenciais onde, para sustentar sua história de fraude nas urnas eletrônicas, Jair Bolsonaro exibiu um inquérito sigiloso da PF sobre uma tentativa de ataque aos computadores do Tribunal Superior Eleitoral.

Violação de sigilo explícita.

É duvidoso, porém, que as consequências disso sejam tratadas de forma tão primária pela Advocacia Geral da União, que atua na defesa de Bolsonaro.

No dia 29 de novembro, Bolsonaro foi intimado a prestar declarações, com prazo de 15 dias e podendo marcar a hora e o lugar para fazê-lo com discrição. Aceitou, mas pediu um prazo de 60 dias, alegando que “a agenda Presidencial, mormente neste período de final de ano, lhe impõe série de compromissos alguns deles em agendas externas que dificultam sobremaneira a sinalização de dia e hora no exíguo lapso ofertado pela Senhora Delegada de Polícia Federal”.

Viu-se, nas praias, como seu tempo era exíguo e sua agenda apertada.

Ainda assim, o ministro Alexandre de Moraes, à frente do inquérito, deu-lhe os 60 dias: os 15 já concedidos e mais 45, o que faz de amanhã a data limite.

Só que, ontem, já poucas horas antes de vencer o prazo, Bolsonaro mandou dizer que não só não marcaria hora para receber a PF como “declinava” do direito de prestar declarações.

Agora, Moraes marcou a tomada de depoimento e das duas uma: ou Bolsonaro, o valentão, vai e diz apenas que o povo tinha o direito de saber, ou Bolsonaro, o fujão, não aparece, “Não vou, e daí?”

E abre caminho para Moares, querendo, determinar a sua condução, o que provavelmente não ocorrerá, pela repercussão que o fato alcançaria.

É difícil imaginar o que pode acontecer, até porque Alexandre de Moraes, até aqui, não parece deixar que o intimidem.

Nada disso, claro, vai muito à frente, porque o Judiciário, sob a maneirosa presidência de Luís Fux, não vai peitar o Planalto. Mas Moraes também não vai ficar quieto e já começou a agir, quando determinou o fim do sigilo do processo – exceto dados bancários e fiscais – tão logo seja colhido (ou não colhido) o depoimento presidencial.

Só não sei se Bolsonaro se aborrecerá com a polêmica, ele adora se mostrar valente em brigas em que o seu cargo não o deixa perder.

Tijolaço

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